Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 09/04/2020

Como resposta para combater a pandemia do Sars-Cov-2 (conhecido popularmente como novo coronavírus), as autoridades de saúde, em geral, falam a mesma coisa: “fiquem em casa”. Contudo, obedecer a essa recomendação torna-se difícil para aqueles que não conseguem sustentar-se durante o período de quarentena. Nesse contexto, é necessário analisar a desafios para o isolamento social no Brasil em razão da situação dos trabalhadores informais – incluindo desempregados - e do teor político que se opõe à medida, buscando soluções para solucioná-la.

A priori, conforme dados divulgados pelo IBGE, o país possuía, em 2019, cerca onze milhões e seiscentos mil desempregados e 38,4 milhões de trabalhadores informais. Diante disso, com um número altíssimo de pessoas sobrevivendo com menos de um salário mínimo por mês, as condições para o isolamento social em território brasileiro são muito desfavoráveis. Tendo em vista que elas terão de trabalhar por questões de subsistência, expondo-se ao risco de contaminar-se pelo novo coronavírus.

A posteriori, o próprio Presidente da República, Jair M. Bolsonaro, já chegou a cobrar o fim do isolamento social, porém, os governadores e prefeitos não acataram o pedido. Ademais, a verdade é: o Brasil será prejudicado economicamente, assim como qualquer outra nação afetada pela doença. Contudo, tais declarações, vindas do chefe do poder executivo, são absurdas, tendo em vista que o fim da atual norma preventiva aumentaria o risco de contaminação e, consequentemente, levaria ao colapso do sistema de saúde (que já não é dos bons), da mesma forma que ocorre na Itália.

Portanto, é preciso que o povo enfrente esse momento de tensão com calma, obedecendo a quarentena e solidarizando-se com o próximo. Por exemplo, deixando garrafas com água e sabão penduradas em árvores e em postes para que os desabrigados se higienizem e voluntariando-se a ir ao supermercado no lugar de quem faz parte do grupo de risco. Em adição, o governo deve facilitar o acesso dos trabalhadores informais ao auxílio de R$ 600,00, já que esse é pago em conta bancária e grande parte deles não possui uma para receber.