Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 09/04/2020
A Revolta da Vacina, ocorrida em 1904 no Rio de Janeiro, foi uma rebelião popular desencadeada pelo projeto do sanitarista Oswaldo Cruz, que consistia na vacinação obrigatória contra a varíola. Mais tarde, em 1908, a cidade experienciou uma epidemia violenta da doença, episódio que influenciou as pessoas a recorrerem à vacina de forma espontânea devido ao elevado número de mortes. Nesse sentido, nota-se a importância da colaboração da população brasileira em casos de pandemias que, até os dias atuais, enfrenta barreiras para ser efetivada. Diante disso, as desigualdades econômicas e a irresponsabilidade corroboram para o agravamento da problemática.
Em primeiro plano, é imperioso destacar as questões financeiras. O filme espanhol “O poço” retrata uma prisão vertical de 333 andares que é abastecida por uma única mesa de alimentos, distribuída por uma plataforma que movimenta-se na direção descendente. Tendo isso em vista, de maneira análoga ao longa-metragem, as pessoas que encontram-se em vulnerabilidade econômica - correspondente aos níveis mais baixos da cadeia - são mais prejudicadas no que concerne ao isolamento social, medida preventiva necessária para evitar a propagação de doenças. Sob esse viés, essa parcela é impossibilitada de aderir tal prática, ficando exposta ao contágio, pois precisa angariar recursos para garantir o seu sustento.
Ademais, vale ressaltar a falta de responsabilidade como fator contribuinte. Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, “A pluralidade é a lei da Terra”. No entanto, nota-se que tal máxima não é aplicada no país em casos de pandemia, devido ao fato de parte da população não zelar pelo bem coletivo. Desse modo, ao não seguir comportamentos que diminuam a expansão de doenças, esse grupo coloca em risco a sua saúde e a de todos os brasileiros.
Portante, é mister a adoção de providências a fim de amenizar o quadro atual. Para tanto, cabe ao Poder Executivo auxiliar, por meio de bolsas assistenciais, os cidadãos de baixa renda. Tal ação será feita a partir do cadastro dos necessitados com informações referentes à sua situação socioeconômica que, posteriormente, serão utilizadas para determinar o valor do benefício. Além disso, os Poderes Públicos devem reforçar o isolamento social por intermédio da elaboração de leis que preveem multas para aqueles que desobedecerem as restrições impostas. Esse controle será realizado mediante a fiscalização realizada 24 horas por dia por profissionais distribuídos nas principais ruas das cidades. Assim, o Brasil conterá o avanço de pandemias, impedindo que catástrofes similares as da Revolta da Vacina tenham que acontecer para que atitudes sejam tomadas.