Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 18/04/2020

Durante a Pré-História, os homens das cavernas viviam em bandos a fim de obter maior êxito na defesa contra predadores. Com o passar do tempo, e as consequentes mudanças na forma de vida da espécie, os vínculos estabelecidos entre os humanos foram alterando-se até estruturar a organização capitalista contemporânea que, de acordo com o sociólogo Durkheim, originou-se com a Segunda Revolução Industrial, na qual a divisão do trabalho gerou maior grau de interdependência das pessoas, visto que cada uma desempenha uma função específica na esfera produtiva e social. Com isso, apesar da necessidade do isolamento social para reduzir a disseminação de doenças em caso de pandemia, tal medida gera grandes desafios econômicos, relacionados à renda dos trabalhadores informais, e no âmbito da saúde mental da população, principalmente em nações subdesenvolvidas como o Brasil.

Sob perspectiva histórica, um dos fatores primordiais para a consolidação do atual contexto econômico do país foi a reforma trabalhista ocorrida em 2017, que provocou significativas mudanças nas leis trabalhistas ao flexibilizar as relações empregatícias e os direitos dos funcionários. Nesse cenário, ocorreu o aumento vertiginoso no número de trabalhadores informais, que corresponde atualmente a 40% dos brasileiros, os quais não possuem garantias legais de proteção salarial em caso de crise, dependendo exclusivamente da renda que obtém do trabalho diário.

Além disso, a brusca alteração na rotina, as preocupações decorrentes das incertezas no contexto da pandemia e o isolamento de amigos e familiares, são fatores que podem acarretar no desenvolvimento ou  potencialização de transtornos mentais como, por exemplo, depressão e a ansiedade, sendo a última responsável por acometer 16,8 milhões de brasileiros, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Portanto, a manutenção saúde psicológica da sociedade também apresenta-se como um desafio no atual contexto.

Dessa forma, torna-se necessária a tomada de medidas capazes de amenizar os problemas gerados pelo isolamento social. Primeiramente, o Governo Federal, em parceria com a Caixa Econômica Federal, deve realizar o cadastro de trabalhadores informais e pessoas desempregadas, e oferecer em contas virtuais o pagamento de subsídios durante os meses de isolamento, para que essas pessoas consigam manter o sustento de suas famílias. Ademais, o Ministério da Saúde deve promover campanhas midiáticas de conscientização sobre os riscos do desenvolvimento de transtornos mentais, estimulando a população a realizar atividades físicas e de lazer dentro de  casa, minimizando os impactos psicológicos da atual situação.