Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 11/04/2020

“O homem é um animal político.” Quando Aristóteles disse essa frase, dentre suas intenções, estava a de afirmar que o ser humano foi feito para viver em comunidade. Sob essa perspectiva, insere-se o contexto atual, no qual a população do mundo inteiro se encontra em quarentena devido à pandemia de um novo coronavírus. Desse modo, além de contradizer o filósofo, o necessário isolamento social traz desafios econômicos e pessoais para a sociedade, que podem agravar a desigualdade do país e piorar o já caótico cenário de uma infecção global.

A princípio, é preciso destacar que, embora o isolamento social seja indispensável, muitas pessoas precisam sair para trabalhar. Nesse sentido, incluem-se os trabalhadores informais, os quais não têm renda fixa e, se não forem às ruas, não conseguem sustentar suas famílias. Por conseguinte, a situação vulnerável na qual se encontram se agrava em um cenário de retração econômica e impedimento da circulação de pessoas. Com efeito, o geógrafo Milton Santos apontou que “uma sociedade alienada é aquela que enxerga o que separa, mas não o que une seus membros”. Logo, é imprescindível que o Estado interfira para amenizar as consequências que afetam essas pessoas e impedir que a desigualdade se acentue ainda mais em uma sociedade que já é alienada segundo a lógica de Santos.

Somado a isso, é importante ressaltar os impactos psicológicos que o isolamento traz para o espectro pessoal de cada um. Acerca dessa premissa, segundo uma reportagem publicada na revista Superinteressante sobre a solidão, devido à necessidade de os ancestrais hominídeos precisarem viver em grupo para sobreviverem, a evolução selecionou genes que favoreciam o prazer da companhia e produziam inquietude quando se estava sozinho. Por conta disso, até hoje, o ser humano prefere a coletividade à solidão e, em situações nas quais ele se vê impedido de interagir socialmente, surtos de ansiedade, recaídas de depressão e ataques de pânico podem surgir. Depreende-se, então, que, mesmo sem contato físico, é fundamental que a sociedade permaneça unida através da internet.

Fica claro, portanto, que a quarentena carrega consideráveis desafios. Com base nisso, para mitigar esse cenário, o Ministério do Desenvolvimento Social deve criar um programa que forneça suprimentos alimentícios, além da já concedida ajuda financeira, para as pessoas em situação vulnerável. Isso pode ser feito por meio de distribuição de cestas básicas para as famílias, na qual a Assistência Social de cada município percorrerá as comunidades e entregará os alimentos, com vistas a impedir que a desigualdade social se agrave e mais pessoas passem fome. Ademais, é importante que a sociedade mantenha redes de afeto via internet e apoiem os amigos que sofrem com o isolamento, a fim de manter a sanidade mental de todos e fazer valer o senso político idealizado por Aristóteles.