Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 11/04/2020
Durante o século XX, o mundo enfrentou uma terrível pandemia, a gripe espanhola, doença que infectou mais 50% da população da época e matou mais que a Segunda Guerra. Hodiernamente, os conhecimentos da medicina moderna mostram que a situação poderia ser totalmente diferente com a adoção do isolamento social, assim como é essencial para a contenção do COVID-19 atualmente. Logo, mesmo sendo extremamente fundamental, o isolamento social enfrenta grandes impasses na sociedade brasileira.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o crescimento dos movimentos anticientificistas no século XXI incentiva cada vez mais um maior contingente da população a se colocar contra às recomendações da OMS, uma vez que esses movimentos bombardeiam a população com diversas “fake news” que questionam a credibilidade ou desmentem o conhecimento produzido pelos cientistas mundiais. Dessa forma, o isolamento social recomendado pelas instituições de saúde é deixado de lado, já que o povo está munido com as mentiras espalhadas por esses grupos e desacredita na sua eficácia. Assim, a parte da população que poderia cumprir a quarentena sem impasses, prefere ir às ruas e contestar as recomendações dos cientistas.
Outrossim, diversos estudos sociológicos que mapeiam a sociedade brasileira evidenciam uma grande presença da vulnerabilidade social no país, a qual se coloca como outra grande barreira para a implantação do isolamento social. Nesse sentido, a reclusão não é uma opção para grande parte dos brasileiros que precisam trabalhar diariamente para poder ter acesso às condições mínimas de vida, posto que mesmo com a disponibilização do auxílio emergencial aos cidadãos carentes, o fato da inscrição para esse recurso ser feito unicamente online faz com que um público que não tem ao menos acesso à energia elétrica, se veja excluído e distante de uma realidade onde a quarentena seria viável.
Perante o exposto, é mister que o Estado adote medidas para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Cidadania, por meio da articulação das unidades municipais do CRAS(Centro de Referência de Assistência Social), a realização de recrutamentos e inscrições para atender a parte da população vulnerável que não foi abrangida pelo sistema de inscrições online, visto que essa é única forma do auxílio emergencial chegar a essa parcela da população, a fim de que tenham as condições mínimas para se manterem em isolamento. Somente assim, as medidas de reclusão social poderão se fazer presentes e eficazes no território brasileiro.