Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 14/04/2020

Em uma sociedade capitalista é necessário ao homem, como parte dos meios de produção, deslocar-se até seu ambiente de trabalho. Essa necessidade ocorre de maneira coletiva e, portanto, se torna comum intensas aglomerações durante o deslocamento, que pode ocorrer em transportes públicos, no caso da massa mais pobre da população, por exemplo. Deste modo, disseminações de doenças são frequentes, no entanto, quando estas possuem alto grau de contágio e letalidade, práticas como o isolamento social devem ser adotadas e, adjacente a isso, problemas econômicos podem emergir.

No Brasil, mais de 24 milhões de pessoas trabalham de forma autônoma, de acordo com o site Agência Brasil. Dentro desse número se encontram os vendedores ambulantes, constituindo uma das classes de pessoas que estão na linha de frente das mais afetadas pelo isolamento. Nesta modalidade de trabalho a movimentação nas ruas é imprescindível. Com uma menor venda, esses trabalhadores encontram dificuldades para sua renda e sustento, levando-o a um empobrecimento que, em uma sociedade que se busca freneticamente o lucro, é irreversível. Vale ressaltar que, embora a escolha de ir ou não as ruas, o trabalhador não pode, sozinho, se tornar autossuficiente.

Além disso, ao passo que os afetados pelo isolamento crescem e mais pessoas perdem seu meio de ganho, o Estado, assim como dizia o filósofo Jacques Rousseau, responsável por assegurar os direitos fundamentais à vida, encontra-se obrigado a ajudar a população monetariamente. Sendo assim, com um isolamento prolongado, é uma consequência o endividamento dos governos, podendo trazer a ele, ou até mesmo ao país que integra, uma crise econômica, além da pandemia.

Portanto, para que se evite uma crise econômica e o empobrecimento irreversível de parte da população em casos isolamento social no Brasil prolongados por pandemias, seria de muita eficácia a criação de um fundo monetário destinado a momentos como os descritos, pelo Ministério da Economia. Somente assim, com medidas preventivas e planejamento, pode-se evitar colapsos econômicos diante de momentos em que se é inevitável o isolamento social por parte da população brasileira.