Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 14/04/2020

O isolamento social representa a principal ação defendida pela comunidade científica mundial para o controle de epidemias, principalmente nos casos sem cura. No contexto atual brasileiro, com a crescente pandemia do Coronavírus, a implantação desta medida incisivamente recomendada pela OMS - Organização Mundial da Saúde -, esbarra tanto na dificuldade de cumprimento das regras de distanciamento por parte das pessoas, quanto nos danos causados à economia.

Em primeira análise, a ausência de convívio social durante o afastamento coletivo representa uma barreira emocional para muitos indivíduos. Segundo o poeta português Fernando Pessoa, " a liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo". Nesse contexto, embora o exílio seja solução para minimizar o contágio, causa um estresse mental na população em virtude da  mudança radical de sua rotina, com a ausência do convívio dos amigos e colegas de trabalho, por exemplo. Ademais, a jornada integral em família pode ser um catalizador para fomentar as rusgas e desavenças presentes - não raro - na maioria dos lares. Prova disso é a recente matéria do jornal O Globo, o qual cita o expressivo aumento do número de pedidos de divórcio em algumas comunidades chinesas no período pós-quarentena.

Por conseguinte, se não for organizada, a solitude alarmantemente potencializa os prejuízos à economia e, consequentemente, expõe a sociedade a outra pestilência: o desemprego em massa. Refém da informalidade, a camada mais pobre da parcela produtiva depara-se com a impiedosa e repentina ausência de renda. Acaba, assim, tendo que viver o drama de decidir entre obedecer às regras do exílio ou sair de casa em busca do seu sustento. Além disso, diversas empresas não sobreviverão com a crise, pois haverá um desencadeamento de quebra de negócios em efeito cascata. é a " segunda onda" - termo dado pelos especialistas referindo-se a esses eventos catastróficos para as finanças do país, comparando-os as efeitos de um tsunami -.

Manter o isolamento é, portanto, fundamental para enfrentar as pandemias, ainda que seja desafiador. Cabe ao Ministério da Saúde ser transparente e investir muito em campanhas de conscientização das pessoas, por meio de veiculação de informações claras  à população acerca dos riscos e maneiras de contaminação , utilizando o rádio, propagandas de tv e as mídias sociais, por exemplo, com a finalidade de que os indivíduos realmente evitem as aglomerações e haja eficácia no controle da transmissão. As autoridades poderiam demonstrar ainda durante essas campanhas que, individualmente, seguem os hábitos de higiene prescritos e todas as determinações, demonstrando, assim, pelo exemplo, que a economia pode ser recuperada, como no passado; mas vidas perdidas não.