Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 14/04/2020
As dificuldades dos mais pobres durante a pandemia
A covid-19, devido ao seu potencial de transmissão maior do que a H1N1, nos forçou a uma situação de isolamento social, o que resulta em problemas a vários setores da sociedade. Entretanto, a classe baixa, na qual se encontra a maioria da população brasileira, é a que mais encontra barreiras para se proteger nessa pandemia, destacando o histórico da desigualdade socioeconômica do nosso país.
Essa camada social, que enfrenta problemas com renda e desemprego na última década, se apoiou na informalidade e nos trabalhos com baixos salários para sobreviver. Porém, com o isolamento social, essa tarefa se dificultou ainda mais, pois eles têm que escolher entre a exposição ao vírus e ao ganho de algum dinheiro ou a não se arriscarem e conviverem com fome e dívidas. “Camelôs” tiveram seu lucro reduzido devido a menor circulação de pessoas, além de correrem o risco de adoecer, diaristas foram dispensadas sem receber apoio financeiro e atendentes de supermercados e farmácias, serviços considerados essenciais, têm de trabalhar sem equipamentos de proteção adequados e não recebem assistência médica de qualidade. Logo, a sobrevivência desse enorme grupo se encontra ameaçada.
Além disso, para aqueles que mesmo assim aderiram ao isolamento, enfrentam falta de recursos para socializar e aprender. O acesso a internet, dispositivos eletrônicos e livros didáticos é limitado para as classes baixas, o que impede uma comunicação e uma educação à distância adequadas, podendo causar ansiedade e depressão pela exclusão social e tédio. Não bastasse isso, o Ministério da Educação manterá o ENEM, o que prejudicará ainda mais os estudantes da rede pública, que já recebiam educação de baixa qualidade e agora mal tem acesso a ela, tendo que realizar esse importante exame sem preparo algum. Assim, esse grupo também tem problemas sociais e educacionais.
Por fim, para a proteção de toda a sociedade, é preciso que o Governo Federal, através de um programa de renda básica, forneça um salário mínimo para trabalhadores informais e desempregados, garantindo o sustento de todos. Também é de suma importância que as empresas de serviços essenciais forneçam equipamentos de proteção adequados a todos os seus funcionários , prezando pela saúde desses trabalhadores. Além disso, as empresas de telecomunicação, em parceria com o Estado, não devem cortar ou reduzir a internet de seus usuários, permitindo o seu uso para o contato social e a educação. Com isso, os problemas financeiros, sociais e econômicos desse grupo majoritário e vulnerável de pessoas podem ser amenizados durante o isolamento social.