Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 14/04/2020

No início de 2020, uma pandemia assolou o mundo, causada pelo vírus COVID-19, o qual é transmitido por meio de vias orais. No intuito de minimizar a contaminação da doença, muitos países instituíram o isolamento social obrigatório, medida que, embora possua resultados eficientes, ainda é amplamente criticada. Faz-se necessário, portanto, debater os aspectos econômicos e sociais da questão, a fim de buscar meios de reduzir a problemática.

Diante desse cenário, é importante ressaltar os desafios na esfera econômica ocasionados pelo isolamento social no Brasil. Com a instituição da quarentena, muitos trabalhadores são obrigados a permanecer em casa, fato que, para quem depende da renda informal, pode significar a ausência completa de pagamento. Segundo o IBGE, em 2019, o Brasil possuía mais de 24 milhões de trabalhadores informais, dados que revelam a quantidade de pessoas desamparadas pela medida, o que faz com que muitas continuem trabalhando, tornando mais rápido o contágio da doença.

Ainda convém lembrar os entraves sociais advindos do isolamento, como os problemas psicológicos acentuados pela sensação de solidão, com considerável aumento dos casos de depressão. Além disso, os índices de violência doméstica cresceram, visto que as famílias são obrigadas a permanecer continuamente em casa, o que, em núcleos violentos, acarreta em casos de agressão frequentes. De acordo com as ideias do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo, o que revela que, muitas vezes, devido à falta de atenção direcionada aos grupos necessitados, muitas pessoas não sabem que podem pedir ajuda, permanecendo em lugares prejudiciais.

É perceptível, portanto, que o isolamento social em casos de pandemia, embora seja extremamente necessário para a contenção da doença, se realizado de forma impensada, pode ser prejudicial para determinados grupos. Dessa maneira, é imprescindível que o Governo busque auxiliar a classe de trabalhadores informais por meio do oferecimento de uma renda àqueles que não recebem salários fixos, para que estes não precisem sair de suas casas para trabalhar, permitindo, assim, que o isolamento se efetive. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, divulgue as centrais de ajuda para quem sofre de depressão e para denunciar casos de agressão, buscando reduzir tais índices. Pode-se, dessa forma, minimizar o problema, assegurando para que o isolamento seja efetuado, diminuindo, assim, a ocorrência da doença.