Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 16/04/2020

Em março deste ano, como medida de contenção do novo corona vírus, COVID-19, diversos serviços foram suspensos e vários estabelecimentos comerciais não puderam abrir as portas. As secretarias de saúde de muitos estados recomendaram o isolamento social para que não houvesse sobrecarga do Sistema Único de Saúde. No entanto, o isolamento social enfrenta dois obstáculos para sua maior efetividade: grande quantidade de informações falsas sobre a doença e necessidade de muitos brasileiros de continuarem indo às ruas para trabalhar e obterem o próprio sustento.

De início, vale ressaltar que a profusão de notícias falsas na rede mundial de computadores presta um grande desserviço à saúde pública, pois confunde a população e enfraquece os esforços do combate à pandemia. De acordo com o médico Drauzio Varella, já circulam pelas redes sociais cerca de 14 tipos diferentes de boatos acerca do vírus. Por conta disso, o Ministério da Saúde lançou aplicativo de celular para instruir os usuários sobre como minimizar o contágio e dirimir mal-entendidos.

Além disso, por conta da crescente informalidade, muitos trabalhadores não têm possibilidade de deixar de trabalhar sem que isso implique em risco alimentar, uma vez que não têm garantias mínimas de renda. Segundo o IBGE, em 2019, a renda média do brasileiro não chegava a 500 reais. Aliado a isso, e também conforme o IBGE, a informalidade no mercado de trabalho já passa de 40%. Dessarte, fica evidente que a precariedade laboral é aliada da disseminação viral.

Portanto, para que seja minorada essa problemática faz-se mister garantir que trabalhadores autônomos tenham assegurada a satisfação de suas necessidades pecuniárias. Para tanto, o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, deve editar medida provisória que estabeleça programa de auxílio ao isolamento social. Esse auxílio deve ter seus recursos garantidos pela taxação de grandes fortunas, que é prevista constitucionalmente. Dessa forma, o isolamento social será mais efetivo e haverá menos mortes decorrentes do vírus e da sobrecarga hospitalar.