Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 16/04/2020

O utilitarismo é uma corrente filosófica, defendida principalmente por Bentham e Stuart Mill, que classificam ações como boas ou ruins a julgar pela maior índice de bem-estar promovido aos envolvidos. Diante do cenário de pandemia global de coronavírus, essas questões filosóficas permeiam e direcionam as tomadas de medidas em diferentes níveis organizacionais, a fim de resolver o paradoxo entre a necessidade de isolamento social, visto a facilidade de disseminação do vírus, e o impasse da quantidade exorbitante de trabalhadores informais ou autônomos no Brasil.

Em 1918, paralelo a Primeira Guerra Mundial, a pandemia por gripe espanhola dispersou pânico e 50 milhões de mortes no mundo e, de semelhante modo ao contexto atual, tornou urgente medidas de isolamento social. Contudo, a resposta do governo brasileiro à necessidade foi extremamente lenta e irresponsável, visto a facilidade de disseminação do vírus Influenza e seu protagonismo inédito naquele período. Parafraseando o filme do roteirista brasileiro Luiz Bolognesi - Uma história de amor e fúria, “viver sem conhecer o passado é andar no escuro”, por isso, é fundamental considerar a experiência outrora vivida para não cometer os erros inafiançáveis novamente.

Em contrapartida, ao atender essa necessidade ocasionada pelo vírus entramos em um dilema ético dualista, ao correr o risco de ignorar o problema estrutural que os brasileiros padecem: a baixa disponibilidade de emprego formal. Para a elite social é conveniente manter-se isolados até certo período, em virtude da sua estabilidade financeira, no entanto, a maioria da população economicamente ativa do Brasil, não desfrutam dessa segurança que o trabalhador formal tem, pelo contrário, o seu sustento dependente do ganho conquistado diariamente. Tal situação é agravada com o isolamento social, mesmo que as grandes empresas não sentam o impacto da redução do fluxo de pessoas, o dono de uma mercearia, vendedores ambulantes, camelôs e feirantes, por exemplo, são completamente afetados a curto prazo.

Logo, é imprescindível alternativas para que nenhuma dessas ramificações originárias do problema em cadeia, seja desprezado. Para tanto, é necessário os esforços do Ministério da Saúde em promover o isolamento social dos cidadãos ao evitar alguns serviços que, a pesar de sofrer danos futuros, não serão tão prejudiciais, como: escolas, igrejas e grandes eventos em geral, que proporcionem aglomerações, assim essa necessidade não será banalizada, posto sua importância. Ademais, é fundamental o aumento da fiscalização das condições higiênicas nas atividades imprescindíveis: como o comércio, sendo passível a multa os que se recusam a seguir as recomendações exigidas pelos órgãos de vigilância sanitária dos municípios, a fim de minimizar os danos sociais e morais do conflito.