Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 17/04/2020

Durante a pandemia da Gripe Espanhola de 1918, observou-se a infecção de pessoas de uma forma descomunal. O contágio dessa doença promoveu a infecção de mais de um quarto da população da é-poca, que se acentuou ainda mais pela dificuldade de manter o isolamento social. Atualmente,  com a pandemia de novas doenças, a citar o HIV e o COVID-19, evidenciam-se os desafios de seguir o isolamento social, que é vital para a redução da propagação das doenças pandêmicas. Por isso, é im portante maior fiscalização e conscientização acerca da importância desse isolamento nesse momento.

Em primeira análise, é relevante a compreensão dos desafios na postura da sociedade em seguir o isolamento social nos momentos de crise. De acordo com o sociólogo Durkheim, a maior anomia da modernidade é o individualismo e egocentrismo. Nessa perspectiva, é notório um número cada vez maior de pessoas mais preocupadas com os próprios interesses do que com o bem-estar da sociedade como um todo. Por essa razão, em momentos de crise ocasionados pela pandemia, observa-se uma dificuldade bastante expressiva em manter o isolamento social, o que evidencia o desinteresse e a ignorância do pensamento individual. Assim, conforme o conceito de “fato social” para Durkheim, os problemas da sociedade, como a pandemia, devem ser analisados de uma forma coletiva e com objetividade, de forma a prezar pelo bem estar social ao invés do individual.

Como consequência de tais desafios, também é necessário compreender os efeitos da pandemia e do isolamento social no mundo contemporâneo. A partir do conceito de ‘‘banalidade do mal’’ trabalhado por Hannah Arendt, observa-se, durante a crise gerada pelas pandemias, um aumento expressivo de notícias sensacionalistas pela mídia, que tem um efeito direto no aumento da histeria da população. Dessa forma, além da crise econômica provocada pelas doenças pandêmicas, tem-se também uma grande crise social, que é acentuada pelo aumento de doenças mentais, como ansiedade e depressão, durante o isolamento social. Por isso, tal isolamento deve ser feito com menor intervenção midiática, a fim de reduzir a cultura do medo vigente na sociedade.

Portanto, notam-se as dificuldades em manter o isolamento social nesse momento crítico. Nesse sentido, urge que o Ministério da Saúde e os Governos Estaduais intensifiquem o isolamento social de modo a proteger a população do individualismo. Essa medida pode ser feita por meio de maior fiscalização nas ruas e maior informação sobre a nocividade das pandemias, a fim de tentar reduzir a contaminação e proliferação das doenças pandêmicas, uma vez que é dever do Estado assegurar o bem-estar social. Ademais, também é necessário que a própria sociedade tenha maior conscientização social para acabar com a cultura do medo vigente no isolamento e, assim, reduzir seus efeitos nocivos.