Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 20/04/2020

Em frente a pandemia da Covid-19, atitudes que tem como objetivo diminuir as taxas de transmissão do vírus foram tomadas, entre essas o isolamento social foi adotado por muitos Estados como uma medida preventiva essencial e necessária. O Brasil seguiu as orientações das instituições de saúde e assim como países modelo no gerenciamento da crise, aderiu ao isolamento social. Contudo as nações usadas como exemplo apresentam circunstâncias, sejam elas econômicas ou sociais, diferentes do Brasil, posto isto o governo apresenta problemas de administração do cenário em vista que as condições de parte da população não são propícias ao cumprimento total do isolamento.

Ser afastado do convívio social, em condições ideias, apresenta desafios a serem contornados, visto que a obrigação de ficar completamente isolado traz questões que envolvem a estabilidade financeira, que deve ser mantida para garantir a assistência das necessidades básicas, como alimentação e cuidado com a higiene. Quando ainda não envolvem problemas de manutenção da saúde mental.

Adotar medidas de isolamento em um país com 13,5 milhões de brasileiros em condições de extrema pobreza é difícil, sem considerar as áreas que têm um número excessivo de construções aglomeradas e, algumas vezes irregulares, que abrigam grandes famílias. O quadro apresentado já se mostra como um grande problema enquanto não se analisa o fato de que parte dessas casas contêm pessoas desempregadas ou em condição de trabalho informal, que se submetidas ao afastamento social ficam impossibilitadas de gerar renda.

Logo vemos que as desigualdades sociais latentes no país só ficaram mais evidentes com a pandemia. Onde ainda no início da crise, enquanto uma parcela do povo fazia uma corrida aos mercados para estocar itens de higiene, como sabão, dado como essencial para a prevenção do Coronavírus, uma vez que a recomendação para lavar as mãos frequentemente foi dada como profilaxia fundamental, populações das comunidades periféricas reclamavam da falta do abastecimento de água nas casas.

Portanto para amenizar a situação, cabe ao Governo Federal: possibilitar incentivos fiscais as empresas para que as mesmas não realizem demissões; criar um programa capaz de oferecer ajuda financeira necessária para suprir as necessidades daqueles carentes de auxílio durante a paralisação e; proporcionar isenção das contas de água e luz (assim como o regular abastecimento de tais serviços), com finalidade de que as demais obrigações com pagamentos possam ser realizadas. Construindo ainda lugares de abrigo para os casos confirmados que não moram em condições ideais de afastamento em razão de prevenir que as pessoas que vivem com o paciente se infectem devido a falta de espaço apropriado de moradia que proporcione o isolamento do doente dentro da própria casa.