Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 19/04/2020

Aristóteles, filósofo grego da Antiguidade, preconizara que os indivíduos, por meio da cultura e, sobretudo, da educação, deveriam buscar a “essência do ser”, isto é, um estado de pleno conhecimento no que concerne tanto ao racional, quanto ao sensível. No entanto, atualmente, a sociedade mundial é circunscrita por riscos – como a epidemia do 2019-nCoV –, os quais, em possíveis cenários de isolamento social, podem impossibilitar o acesso à plenitude aristotélica: um desafio à educação . Dessarte, é fulcral apontar a falta da presença do professor como a principal razão do problema, a qual incita teorias freudianas.

De início, afirma-se que o papel empírico dos docentes é imperioso para o acesso íntegro à educação. Para depreender isso, é mister entender a maior crítica ao Iluminismo do século XVIII, mormente, à Denis Diderot. Ele, filósofo desse movimento, pregara que o conhecimento seria a única maneira de se atingir a patente cidadã, porém, como confronto a ele, o foco exacerbado na racionalidade poderia levar a uma população dotada de anseios – ideia pertinente ao Romantismo. Nesse sentido, a figura do professor, para evitar tal panorama, seria o elo estabilizador entre razão e emoção, conduzindo os discentes à essência de Aristóteles. Logo, em tempos de isolamento social, se a ausência desse profissional é imposta, potencializa-se um conflito, nos alunos, entre racional e sensível.

Por conseguinte, tal conflito ancora-se nas teorias de Sigmunt Freud, quem desenvolveu a noção de “ID, ego e superego”. Nessa, considera-se o “ID” a natureza humana, cujo ímpeto é pelo prazer imediato, o “superego” um lado fortemente racional com parâmetros na sociedade e o “ego” o regulador entre ambos – todos inerentes à espécie. Sob esse prisma, até mesmo a educação espontânea, ou seja, o autodidatismo, é corroída pelo, agora, extremo sensível, porquanto, segundo a análise ubíqua de Freud, sem maior vigilância, o “ID” sobrepõe-se aos demais. Desse modo, se a natureza humana freudiana é exaltada, torna-se quase que inconcebível obter pleno acesso à educação, haja vista que essa requer ação do “superego”, mediante isolamento social.

Portanto, infere-se que, visto a intempestividade da problemática, atitudes são necessárias para evitar esse panorama em situação de isolamento. Para tanto, compete às famílias, enquanto unidades responsáveis pela formação de indivíduos, o dever de incitar o “superego” de seus integrantes sempre que possível, além de, dentro das condições de cada lar, integrar-se aos estudos de cada um, de forma a atuar como os professores nesses casos, por meio de uma maior protocooperação domiciliar, a fim de possibilitar a plenitude da educação e do conhecimento aristotélico.