Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 20/04/2020

“Ser ou não ser, eis a questão”. O dramaturgo William Shakespeare sintetiza nesse trecho da peça teatral “Hamlet”, o dilema ético e moral vivenciado pelo protagonista antes de tomar uma decisão que teria consequências para sua vida. É possível fazer uma analogia entre esse dilema e os desafios do isolamento social, visto que a postura adotada diante dessa problemática tende a influenciar significativamente o processo de resolução. Nesse contexto, é imprescindível analisar essa questão.

De antemão, percebe-se que o Poder Público, ao permitir a persistência desses desafios, mostra-se omisso. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro em atendimentos com psicólogos e psiquiatras de maneira virtual, uma vez que estes no sistema público de saúde só acontecem presencialmente, o que dificulta o tratamento de pessoas com doenças de saúde mental que devem ficar em isolamento durante uma pandemia, e que consequentemente, tendem a sofrer um agravamento da doença. Dessa forma, nota-se que o Estado ao não garantir o bem-estar de toda a população, rompe o contrato social teorizado pelo filósofo John Locke.

Além disso, enfatiza-se que falta tomar uma atitude cidadã diante dos desafios do isolamento social. Como prova disso, nota-se a apatia de parte da população em não lutar pela fiscalização mais rígida nas ruas, impedindo que os indivíduos saiam de casa sem necessidade, evitando assim, a propagação da doença. Considerando as reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman, é possível explicar esse cenário, já que depois da Segunda Guerra Mundial, um pensamento pessimista abateu as pessoas, que passaram a aceitar quadros negativos.

Convém, portanto, ressaltar que esses desafios devem ser superados. É necessário exigir do  Estado, mediante debates em audiências públicas, o investimento financeiro na modernização na forma de atendimento com profissionais que tratam de doenças psicológicas, priorizando que todos consigam continuar seus tratamentos, com o objetivo de que essas doenças não fiquem piores durante o tempo de isolamento. Ademais, é fundamental sensibilizar a população através de campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada perante a problemática, potencializando assim, uma mobilização coletiva em prol da diminuição de propagação das doenças. Desta forma, “ser ou não ser” engajado deixaria de ser um dilema no país.