Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 19/04/2020

Altamente recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o isolamento social frente a um cenário mundialmente pandêmico é essencial. O alto contágio da presente Covid-19 é um dos fatores os quais fez países como a Arábia Saudita fecharem suas portas. Em uma pespectiva nacional, o Brasil tem apresenta uma dificuldade, sustentada por motivos socioeconômicos e políticos, em manejar os consequentes problemas e dificuldades trazidos pela necessidade de um afastamento social, este, infelizmente dificilmente reconhecido pela presidência da república, gerando uma população sem líder e desinformada.

Em primeira análise, observamos a resistência de compreensão da seriedade e urgência do afastamento social por parte de economistas e empreendedores brasileiros, explícita na irresponsável declaração feita pelo dono da rede Madero: “O Brasil não pode parar por 5 ou 7 mil mortes”. Afirmações análogas a estas vem de diversas personalidades, as quais possuem uma estabilidade financeira, além de acesso a saúde privada - esta, que abriga a maior parte dos leitos em hospitais no Brasil, acessível a menos de 5% da população, como Gregório Duvivier nos mostra no programa da HBO Greg News: Estoque.

Nesse sentido, vale ressaltar o crescente percentual de brasileiros em empregos informais, como o caso dos entregadores de aplicativos como Uber Eats, Rappi, Loggi e IFood, por exemplo, os quais não estabelecem qualquer vínculo empregativo com tais empresas, não recebendo qualquer auxílio mesmo em casos extremos como o de uma pandemia mundial, constado nos “termos de uso” das plataformas. Assim, atualmente enfretam uma jornada de trabalho, além de extremamente longa (em muitos casos, disponíveis ao serviço 24h), altamente perigosa devido ao altíssimo contágio do novo coronavírus (R0 básico entre 2,5 e 3) e menos lucrativa que nos meses anteriores, devido ao algorítimo das empresas proporcionado pelo crescente número de entregadores disponíveis, como citado anteriormente. Vivendo de renda diária, tais entregadores não tem condições financeiras de acesso à rede de saúde privada e dependem de leitos de hospitais disponíveis no SUS, o que é uma dificuldade com a rejeição do distanciamento social.

Defronte ao cenário incomum presenciado, é de extrema urgência que haja suporte financeiro aos empregados informais através de iniciativas estatais conjuntas com empresas privadas como IFood e análogas, afim de evitar o trabalho para renda diária de sustentação, evitando o contato social e o contágio, liberando leitos no sistema de saúde público.