Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 20/04/2020

O VÍRUS ECONÔMICO

No romance americano “Tudo e todas as coisas” a adolescente Maddie sofre há 17 anos de uma doença rara, que a impossibilita de ser exposta ao mundo externo. Portanto, a garota vive exclusivamente em sua casa acompanhada de sua enfermeira, a qual, assim como todas as outras despesas, é bancada por sua mãe médica. Fora da ficção, o cotidiano de quem precisa viver em isolamento social, causado por um novo vírus, é diferente, pois, possivelmente não conseguem se sustentar, pela falta de trabalho, o que os levam voltar ao meio social, contribuindo para o avanço da doença sobre a população.

Primordialmente, o afloramento de um vírus desconhecido leva a entender que os indivíduos não possuem imunidade contra ele, uma vez que nunca foram expostos a tal agente etiológico, assim como a comunidade científica não o estudou a ponto de elaborar uma vacina imunológica. Esse feito decorre de altos investimentos técnicos e econômicos, que a longo prazo pode ou não ter um final positivo, como foi o da Varíola e do HIV, sendo a primeira erradicada, pois a população foi imunizada e tratada, e o último persistente devido a dificuldade na elaboração de imunizações. Como resultado, o único e eficaz remédio, a principio, é o isolamento social, mas infelizmente ele acarreta graves problemas socioeconômicos.

Em virtude da necessidade de permanecer em casa, o trabalhador autônomo é afastado do seu meio de sustento e, assim como os desempregados, tem uma queda brusca na sua renda familiar gerando a provável falta de itens básicos de higiene, fundamentais para combater um vírus, e alimentação. Tal fato faz a pessoa voltar à ativa, se expondo ao agente e contribuindo para o seu crescimento dentre a sociedade, levando a superlotação da rede hospitalar, a qual não consegue assistir a todos os infectados, acarretando, portanto, muitas mortes. Se por outro lado, cumpre o afastamento, a pessoa se encontra num mar de dívidas, dado que contas não param de chegar.

É mister que o Estado tome providências para superar o quadro atual gerado pelo novo vírus. Para que o isolamento social se torne possível, ou seja, sem que falte o mínimo para viver à população, urge que o Ministério da Economia providencie um auxílio emergencial aos trabalhadores afetados e desempregados por meio da elaboração de leis, sancionadas pelo Congresso, focada em casos “de guerra”, situações presentes ou futuras de calamidade pública. Todo processo deve ser veiculado pelas grandes mídias e possuir parceria com bancos, facilitando um combate rápido e eficiente, no intuito de não tornar todos aprisionados permanentemente em casa como a fictícia garota Meddie.