Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 21/04/2020

O Utilitarismo é uma corrente filosófica defendida por Stuart Mill e Bentham, que classifica ações como boas ou más, a julgar pelo bem-estar promovido aos atingidos por essas atitudes. Diante do cenário de pandemia do Coronavírus, questões filosóficas permeiam as decisões em diferentes níveis organizacionais e embasam o dilema ético entre a necessidade de isolamento social e seus desafios: o grande número de trabalhadores informais e autônomos no Brasil e o descrédito da população da população acerca da grandeza do problema.

Em primeiro lugar, a alta disseminação do vírus pelo contato e seu protagonismo inédito na história global, tornam o distanciamento físico fundamental a população. Assim, reduz-se o fluxo populacional e por consequência o giro econômico. No entanto, isso afeta diretamente os trabalhadores informais e autônomos que não desfrutam da estabilidade financeira garantidas pelo emprego formal. Esse impacto na economia ocasionada pelo Coronavírus é expressivo sobretudo no Brasil, visto que, segundo o IBGE, os trabalhadores informais - ambulantes, feirantes e camelos - representam 40,6% do total de trabalhadores do país até fevereiro de 2020. Nesse sentido, em contrapartida as medidas tomadas para conter o vírus surge o problema da instabilidade e pobreza enfrentado por vários cidadãos brasileiros, dos quais a renda diária é destinada a compra do alimento e sem ela a fome instaura-se.

Além disso, percebe-se também uma minimização da gravidade do problema por parte não só da população, mas também do próprio Presidente da República, que em seu primeiro pronunciamento em rede nacional, diminuiu a pandemia global a uma simples “gripezinha”. Logo, os irresponsáveis que insistem em ignorar o potencial trágico do vírus encontram-se respaldados em afirmações como essa de Jair Bolsonaro. Em virtude disso, o isolamento social torna-se banal na perspectiva dos brasileiros e as consequências desse desprezo reduzirá a promoção do bem-estar a própria população.

Portanto, é imprescindível alternativas que diminuam os desafios da manutenção do distanciamento populacional em casos de pandemias. Para tanto, o Ministério da Saúde e órgãos legislativos devem elaborar uma proposta de lei que libere uma renda mínima, extraída de mecanismos de distribuição de renda, aos cidadãos na situação de trabalho informal, em tempos de crise, para que esses cumpram o isolamento assegurados de suas necessidades básicas. É importante também que os órgãos supracitados democratizem as decisões tomadas e a gravidade do problema vigente por meio das suas redes sociais, como Instagram, Twitter e YouTube, a fim de que as informações passadas produzam senso de responsabilidade na população. Dessa maneira, tornar-se-á possível manter os cidadãos brasileiros a salvo dos parasitas: o vírus, a fome e as opiniões imprudentes.