Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 21/04/2020
No século XVI com a chegada dos portugueses ao Brasil, os índios adoeceram e até morreram por doenças desconhecidas, as quais seus organismos não possuíam anticorpos. Com a descoberta do COVID-19, essa é a maior preocupação atual, por ser um novo vírus, o corpo não produz anticorpos. A partir de um olhar sociológico nota-se a gravidade dessa pandemia em contato com a periferia, majoritariamente negligenciada.
Junto a isso, a elite brasileira tem ido às ruas manifestar e pedir que o isolamento social tenha fim para que possam trabalhar, enquanto isso a população periférica é obrigada a continuar trabalhando, porque não tem como se manter sem receber salários. Um dos argumentos da alta-sociedade é que a economia quebrará se todos ficarem em casa, ignorando completamente o alto índice de mortes.
Além disso, o sucateamento de hospitais da rede pública faz com que a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS), seja menor e menos eficaz do que poderia ser, tudo isso graças à política de austeridade fiscal; aplicada a fim de contingenciar investimentos em saúde e educação através da pec. 241. Ou seja, a preocupação em recuperar a economia ignora que o Coronavírus atinge a todos, mas mata quem tem menos ferramentas para proteger-se dele, afetando diretamente as classes sociais mais baixas.
Portanto, um olhar que priorize um recorte classista é fundamental para entender o desafio de manter o isolamento no Brasil e solucioná-lo. Com isso, faz-se necessário que o poder legislativo crie uma lei que promova uma renda emergencial que supra o valor que os trabalhadores recebem em situações normais, esse dinheiro pode vir por meio da taxação de grandes fortunas, a fim de evitar que atinja negativamente os cofres públicos. Mas ainda é primordial para enfrentar a pandemia que a austeridade e a pec 241 sejam repensadas, e suspensas. Ao contrário do Brasil colonial, medidas podem ser tomadas para barrar o caos.