Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 23/04/2020
Na música “Wave” Tom Jobim é categórico ao afirmar que “É impossível ser feliz sozinho”. Desse modo o compositor fala da importância que a humanidade dá ao contato social. Consoante a isso, Platão define o homem como “Ser Social”, reforçando a ideia do convívio como peça fundamental para condição humana. Porém, na atualidade, o isolamento se tornou necessário devido à expansão de uma pandemia, trazendo várias problemáticas como a solidão, a depressão e a ansiedade das pessoas. Sendo um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela irresponsabilidade social.
A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que proporcionam à sociedade tratamento médico e psicológico especializado na depressão e ansiedade, tão importantes nesse momento. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar qualidade de vida para os cidadãos. De certo, isso se reflete na pesquisa publicada pelo jornal O Globo, em março de 2020, que fala que a procura por atendimento psicológico aumentou mais de 20% quando comparado ao ano anterior.
Outrossim, destaca-se a cultura da inércia de uma parte da sociedade, que muitas vezes, devido ao senso comum, minimiza problemas como ansiedade, angústia prolongada e depressão, que podem evoluir para casos mais graves como crises de pânico e em último caso o suicídio, agravando os problemas de saúde pública e sendo assim um efeito secundário da pandemia. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Isso se demonstra na declaração da Organização Mundial de Saúde - OMS, que afirma que a maior causa de suicídio entre jovens de 15 à 29 anos é a depressão.
Diante desse cenário, é mister que o Ministério da Saúde, que tem a função social de zelar pelo bem estar da população, amplie as política públicas de atendimento das pessoas que precisam ficar em quarentena, através de canais virtuais de apoio psicológico, a fim de minimizar as consequências das doenças psicossomáticas, proporcionando maior qualidade de vida. Além disso, as instituições educacionais devem orientar a população sobre os malefícios das doenças emocionais , através de campanhas veiculadas nos principais meios de comunicação, como TV e internet, para que, gradativamente, a felicidade descrita por Tom Jobim se torne cada vez mais comum em tempos de isolamento social no Brasil.