Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 23/04/2020

As primeiras décadas do século XX no Brasil são lembradas pelo auge da economia cafeeira e pela Semana de Arte Moderna de 1922. Contudo, é também, pela epidemia da gripe espanhola que levou, a óbito, milhares de pessoas. Um século depois, o país volta a enfrentar outra pandemia e como a do passado, sem vacina. Assim sendo, resta adotar como alternativa o isolamento social para reduzir a velocidade do contágio. Porém, essa opção pode elevar a taxar de desemprego e pobreza.

A priori, é importante evidenciar que o isolamento dos indivíduos, quando não há vacina, é a estratégia para promover a desaceleração da contaminação por um novo agente infectocontagioso. Segundo a Agência Lupa, “estudos que analisaram as medidas de isolamento social na China mostram que elas foram eficazes na redução da taxa de contaminação pelo novo coronavírus". Essa medida é fundamental para manter a compatibilidade entre o número infectados em estado grave com a capacidade da oferta de leitos nos hospitais. Do contrário, obviamente, a taxa da letalidade será muito elevada.

A posteriori, vale ressaltar que o “lockdown”, ou seja, a paralisação total, ensejará amargos prejuízos futuros. Desse modo, são muitos os desafios a serem superados. Para Roberto Braga da agência CNI de notícias, “o fechamento temporário de vários segmentos da economia, com o louvável objetivo de manter as pessoas em casa e diminuir a circulação do vírus, poderá inviabilizar muitas empresas”. Esse fato, todavia, deve ser considerado ao se adotar medidas que não aumentem as mortes pela pandemia nem provoquem outras, pelo desemprego e fome. É preciso, pois, encontrar um equilíbrio que satisfaçam a preservação da vida e a economia.

Infere-se, portanto, que o isolamento é necessário para reduzir a contaminação pelo vírus. Contudo, é igualmente importante a manutenção dos empregos. Logo, é preciso pensar nas duas questões. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, junto às Secretarias dos Estados, elaborar estudo, feito por uma equipe técnica, para decidir como, quando e em quais condições o comércio abrirá. Nele, deve-se observar como critério a taxa de ocupação das UTIs, seguindo uma tabela: ocupação de 60%, entre 60 e 80% e acima desse percentual. Caso a medida seja a primeira, as lojas podem a reabrir. Estando na segunda, o isolamento deverá ser mantido. Passando à terceira, adotar-se-á o lockdwn. Elas terão validade de duas semanas, quando serão reavaliadas. Como recomendação, as que reabrirem devem oferecer álcool em gel e exigir que os clientes usem máscaras. Dessa forma, espera-se reduzir as mortes causadas pela doença e aquelas, pela falta de emprego e renda para o autossustento.