Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 25/04/2020
No ano de 1918, o mundo foi assolado por inúmeros casos de uma nova doença, a gripe espanhola, causada por uma mutação do vírus influenza e que provocou a morte de cerca de 50 milhões de pessoas. Na atualidade, todos os países, entre eles o Brasil, enfrentam novamente uma pandemia causada pelo novo coronavírus. Devido a ausência de uma vacina ou de um tratamento eficaz contra essa doença, foi necessário o estabelecimento do isolamento social, medida que traz inúmeros desafios, sobretudo nos âmbitos econômico e educacional.
Em primeiro lugar, é necessário destacar que o confinamento em massa da população afeta profundamente a dinâmica econômica e causa grandes impactos na vida das pessoas. Tal tese pode ser explicada tendo em vista o fato de que os trabalhadores informais, que segundo dados do IBGE representam quase metade da população ocupada no país, não podem desempenhar suas atividades e, por isso, têm sua renda reduzida, ficando desamparados, uma vez que não possuem qualquer garantia trabalhista. Ademais, muitas empresas têm sua receita diminuída, o que aumenta o risco de demissões e de um possível cenário de aumento do desemprego.
Além disso, verifica-se que o isolamento dificulta o acesso de milhões de estudantes à educação, uma vez que as escolas estão fechadas, situação que afeta desde as crianças que estão na importante fase da alfabetização até os adolescentes que se preparam para o vestibular. Para além disso, observa-se também um grave problema social, pois a alimentação de muitas crianças depende das refeições oferecidas nas escolas e o confinamento em casa aumenta as chances delas serem vítimas de violência doméstica.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para solucionar esse problema. Cabe ao Estado, por meio do Ministério da Economia, desenvolver um projeto de assistência social aos mais vulneráveis e de recuperação econômica, por meio da implementação de um programa de transferência de renda e de medidas de incentivo e apoio às empresas, a fim de garantir o bem-estar social e manter empregos. Além disso, o Ministério da Educação deve reformular o calendário escolar e determinar que as escolas, mesmo fechadas, continuem fornecendo refeições ás crianças.