Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 29/04/2020

‘‘Ocasionalmente, surge uma variante de gripe que representa uma ameaça existencial para nós enquanto espécie.’’ Esse trecho retirado da série documental Pandemia, da emissora Netflix, pode de forma excelente representar a crise causada por surtos de doenças respiratórias. Uma das profilaxias nas nações atingidas por aquelas é o retiramento social. No que diz respeito ao Brasil, aquele é razão de conflitos e contradições entre sociedade e Estado.

Basta considerar a situação global de caos causado pela atual enfermidade de proporção pandêmica, a Covid-19, para esclarecer a problemática. A quarentena, que é reclusão do indivíduo, foi aderida no país em subsequência, em meados de março, por líderes estatais. Aquela, a princípio, foi bem sucedida. Com o passar das semanas a realidade passou a ser o afrouxamento da vigilância dos cidadãos, que passaram a ‘‘furar’’ o isolamento. Conforme afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo indivíduo possui direito a um padrão de vida que lhe assegure boas condições de saúde e bem-estar. A essa está ligada alimentação e assistência médica. Contudo,  no cenário governamental vigente observa-se a incapacidade de cumprir-se tais deveres que sustentam a vida.

Então, urgiu da população a necessidade de manter o sustento. A frase popular “se não morrer com coronavírus, falece por fome’’, é o argumento principal de trabalhadores informais e formais para cumprir seu expediente. Para esses, a situação do risco de desemprego causado pela crise econômica é fato preocupante. Ainda que o auxílio emergencial de R$600,00 tenha sido disponibilizado pelo governo, a quantia é exígua para o sobreviver da família. Acrescente-se a isso a descrença de algumas pessoas para a gravidade da doença, que saem a caminhar nas ruas e formam rodas de conversa com vizinhos e amigos, como quem vive em férias. O comportamento do chefe de Estado da nação acerca da peste, onde aquele tem sido péssimo, também conta para a resistência do povo a reclusão.

Outrossim, é importante que o Ministério do trabalho elabore leis de fiscalização e proteção ao trabalhador e ao empregador, ao fornecer amparo econômico aos mesmos. Desta forma, aos serviços não essenciais não seria necessário a abertura das portas.  É relevante também o aumento da quantia no que diz respeito ao auxílio emergencial para o equivalente ao salário mínimo, o que tornaria desnecessária a exposição de trabalhadores informais nas ruas. A dinamização do acesso e aquisição a esse também é essencial. Cabe em conjunto a ação do Ministério da Educação e da Segurança na respectiva conscientização e punição do homem acerca do isolamento. Para esse, no caso da não realização. Em tempos de pandemia, mais estimada é a ética e a cidadania do que a ignorância.