Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 05/05/2020

Nas últimas semanas, o isolamento social se tornou o centro das estratégias globais de combate ao vírus. O objetivo é “achatar a curva” de disseminação da doença, para evitar que o número de novos casos se concentre em um curto espaço de tempo e leve ao colapso do sistema de saúde. As iniciativas de isolamento, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), têm sido adotadas de forma distinta. Há países que ameaçam prender ou multar pessoas que saem às ruas para realizar atividades que não envolvem a compra de alimentos ou remédios.

No Brasil, o governo federal tem se posicionado contra o confinamento em massa. Já os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro determinaram o fechamento de escolas e estabelecimentos considerados não essenciais, recomendando, desde 24 de março, que todos fiquem em casa.Outro problema é que, como se trata de um novo vírus, praticamente toda a população mundial é suscetível à infecção. Como não possuímos vacina (reduziria o número máximo de pessoas que poderiam ser infectadas e reduziria o R0) ou medicamento curativo para a COVID-19, nossa única alternativa é o isolamento social.À medida que os espaços públicos se tornam vazios, em todo o mundo cresce a preocupação com a saúde mental dos indivíduos enclausurados, levando especialistas a avaliar os possíveis impactos do isolamento e confinamento da população.

Pesquisadores envolvidos no esforço de revisão dos estudos argumentam que é necessário criar iniciativas para que a experiência de confinamento seja a mais tolerável possível. Isso envolve esforço de comunicação por parte dos governantes, com explicações claras à população sobre o que está ocorrendo. Ao considerar o isolamento social, medida essencial para combater o avanço do vírus, a OMS e pesquisadores da área da saúde mental indicam a necessidade de os indivíduos desenvolverem estratégias para lidar com o estresse ocasionado pela situação.