Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 05/05/2020
No livro “Ensaio Sobre a Cegueira, do português José Saramago, há uma metáfora acerca da cegueira moral – falta de empatia e distanciamento dos indivíduos. Esse panorama auxilia na análise na questão do isolamento social no Brasil em casos de pandemia, uma vez que muitas pessoas não entendem que a medida restritiva é necessária para salvar o maior número de indivíduos. A esse respeito, há de se considerar o estado de vulnerabilidade das pessoas menos abastadas e a falta de adesão dos brasileiros como principais desafios para enfrentar esse impasse.
Convém ressaltar, a princípio, que um dos obstáculos enfrentados pelo país é a promoção de medidas governamentais eficazes para melhorar a condição de vida de pessoas que não possuem recursos financeiros para cumprir o isolamento social. Conforme leis newtonianas, todo corpo tende a ficar no estado em que está, até que uma força atue sobre ele. Sob esse viés, se não houver melhoria no sistema de distribuição auxílio emergencial, além de outras medidas desenvolvidas nos municípios de arrecadação de alimentos, muitos brasileiros permanecerão em situação inercial: podendo passar dificuldades extremas, como fome. Com efeito, essas pessoas continuarão trabalhando, para garantir o sustento familiar, o que suscita a perpetuação da propagação do agente etiológico da pandemia.
Além disso, a dificuldade de engajamento total dos brasileiros é outro desafio evidente. Tal cenário ocorre por divergências entre setores governamentais da economia e da saúde sobre como solucionar a pandemia, o que gera dúvida sobre o isolamento social. Esse cenário remete à “Alegoria da Caverna”, do filósofo grego Platão, uma vez que muitas pessoas não abdicam das cavernas do “individualismo” e da “insapiência sobre formas de contágio do vírus”. Logo, elas não enxergam o mundo fora do covil, isto é, muitos não entendem a medida restritiva como forma de prevenção, já que não há vacina nem medicamentos desenvolvidos para conter a pandemia. Consequentemente, centros das cidades lotados, com pessoas sem máscaras para evitar contágio, são reflexos dessa situação.
Evidencia-se, portanto que reverter medidas públicas ineficazes e ausência de engajamento dos brasileiros faz-se imprescindível ao êxito da problemática. Dessarte, cabe às Secretárias Municipais, em parceria com supermercados, fazerem uma campanha de arrecadação de alimentos - a cada alimento doado, o consumidor ganha desconto na compra -, a fim de doar cestas básicas as pessoas que estão em situação calamitosa. Ademais, a mídia, por intermédio de programas de saúde, pode mostrar entrevistas com médicos e enfermeiros que passam por problemas de superlotação nos hospitais, devido a não prevenção correta da sociedade, com o intuito de sensibilizar os cidadãos sobre a gravidade da pandemia. A partir dessas medidas, espera-se a retomada da “visão” dos brasileiros.