Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 06/05/2020

Aristóteles, em sua “Ética a Nicômaco”, retrata a conduta humana como prática constante das virtudes. Para o filósofo grego, o homem é causa de suas próprias ações e, portanto, sem uma práxis virtuosa não há possibilidade de se alcançar o bem comum. Analisando esse contexto, atrelado à conjuntura atual, nota-se que os pilares da ética e da justiça são corroídos, comprometendo a construção do bem-estar das futuras gerações, tal qual o necessário isolamento social no Brasil é corroído pela cultura neoliberal. Dessa forma, cabe ao Estado conter esse impasse.

Na atual conjuntura, a difusão dos discursos acríticos da cultura neoliberal manipula a realidade e constrói uma sociedade padronizada voltada ao interesse imediato. Através do dispositivo midiático, são fabricados ideais estéticos e intelectuais atrelados ao consumo e, desse modo, impõe-se à sociedade uma lógica capitalista orientada prioritariamente para o lucro que afeta o necessário isolamento social, já que os indivíduos precisam sair de casa em busca de algum trabalho para o seu sustento, visto que estão perdendo o emprego devido a pandemia estar causando pouca demanda de bens e serviços. Assim, é necessário que haja a intervenção do Estado para garantir o emprego dos cidadãos, com o propósito de reduzir o número de indivíduos como José Maria que oferece risco de transmissão do vírus à população, cuja necessidade decorre da ausência de senso ético de parte do corpo social.

Paralelamente, denotam-se consequências negativas no âmbito social como indivíduos, igualmente à José Maria, que são vendedores ambulantes e estão se deslocando com mais frequência em busca de um público maior para vender seus produtos, o que resulta, de modo mais amplo, em aumento do R0 da covid-19 e aumento de casos que satura a capacidade do sistema de saúde. Por conseguinte, a persistência desses aspectos somente faz deteriorar a condição da vida humana plena na direção de um mundo injusto e antiético, contrariando os preceitos de ética defendidos por Aristóteles em sua “Ètica a Nicômaco”.

Destarte, é imperativa a atuação estatal, a partir de políticas públicas que visem garantir a ética e a segurança da população. Como gestor administrativo, o Estado deve enrijecer medidas que objetivam oferecer incentivos fiscais para as empresas, a fim de que estas possam manter seus funcionários mesmo que a demanda por bens e serviços esteja baixa. Assim, como postula Aristóteles, apoiar essas medidas corresponde em construir um mundo assentado em valores que tenham por finalidade o bem comum e a ética.