Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 23/06/2020
No premiado filme ‘‘Parasita’’, é retratado os efeitos de uma tempestade em duas famílias, Kim e Park. Enquanto a humilde residência dos Kim é intensamente alagada, os Park enaltecem a chuva da janela de sua mansão. Paralelo à isso, a realidade não é muito diferente quanto à desigualdade social e os problemas enfrentados pela classe trabalhadora. No contexto de isolamento social, tais dificuldades se aprofundam, especialmente aos trabalhadores informais e moradores de periferia.
Primeiramente, é importante destacar as adversidades já enfrentadas pela população informal no Brasil. Segundo o IBGE, Instituto brasileiro de Geografia e Estatística, 41,4% dos cidadãos brasileiros trabalham como autônomos, ou seja, não possuem estabilidade e apoio das leis trabalhistas. Além disso, em tempos de crise e isolamento social essa parcela é mais economicamente vulnerável já que estão desamparadas e não tem alternativas ou suporte, como a possibilidade de trabalhar em casa ou a obtenção de algum seguro trabalhista. Assim sendo, esses trabalhadores precisam adquirir renda, e apesar do isolamento social proteger contra a epidemia, não protege contra a fome e as despesas.
Por conseguinte, o cenário de asfatamento coletivo intensifica a desigualdade social estruturada no Brasil desde a colonização que marginalizou a classe operária e constituiu as periferias. De certo, esse desequilíbrio ainda é presente, o que dificulta o isolamento social, já que nas periferias a população vive em espaços limitados com muitas pessoas no mesmo ambiente.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar o quadro atual. É necessário a atuação do Ministério do Trabalho com implementação de leis trabalhistas que regulem os empregos informais e forneçam suporte em tempos de crise às classes menos favorecidas. Além disso, criar parcerias com empresas de serviços essenciais para congelamento de cobrança. Logo, pode-se amenizar os desafios da desigualdade, tanto habitualmente quanto em tempos de pandemia.