Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 12/05/2020

Durante a epidemia da Peste Negra, na Idade Média, surgiu o famoso termo “quaranta giorni” na Itália. A expressão se referia ao período de 40 dias que os navios estrangeiros suspeitos de contaminação deveriam ficar aportados em Veneza para evitar a propagação da doença em território italiano. No século XXI, entretanto, surgem desafios para a ampla aplicabilidade de um isolamento social no Brasil, em casos de pandemias, apesar de tal medida histórica se mostrar importante.

Em um primeiro momento, é necessário compreender que há fundamento nas medidas de restrição. Isso se mostra na declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS), sobre a propagação do vírus Covid-19, ao afirmar que a principal consequência de um afastamento social em larga escala é a uma menor disseminação da doença. Dessa forma, deve-se evitar o colapso de sistema de saúde ao garantir que o número de casos não ultrapasse as disponibilidades médicas.

No entanto, a falta de uma organizada assistência governamental à população impede o pleno funcionamento das medidas restritivas. Isso se fundamenta, de acordo com o site de notícias G1, pelas inúmeras aglomerações em portas das agências da Caixa Econômica Federal em busca de atendimento bancário por todo o país, uma vez que a impossibilidade do acesso aos meios digitais se faz presente. Assim, se mostra a omissão estatal na tomada de providências para fornecer condições propícias a um distanciamento seguro.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Urge que o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) desenvolva, por meio de verbas públicas, um acesso à internet de qualidade em grande escala para as massas populares. Tal determinação tem como objetivo principal garantir uma conexão aos sistemas bancários e evitar superlotação nas filas das agências físicas. Somente assim o Brasil poderá atender às demandas da OMS quanto ao isolamento social e garantir a segurança da população.