Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 12/05/2020
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pandemia é a disseminação de uma nova doença de forma mundial. Esta acaba por mudar o rumo da história e a forma como as pessoas vivem, a exemplo da Peste Bubônica, na Eurásia do século XIV, em que não se via ninguém às ruas a não ser a atmosfera mortífera. Para minimizar esse cenário iminente, o isolamento social é algo necessário, mas no Brasil, essa ideia não é estritamente seguida por diversos fatores.
Em primeiro plano, vale ressaltar que mais de 40% da população brasileira trabalha informalmente, segundo IBGE, e isto pode se traduzir num problema. Ou seja, por não possuírem carteira assinada, seus direitos são diminuídos até como cidadãos e em meio a cenários pandêmicos, são completamente esquecidos. Para tanto, não resta escolha ao ambulante, por exemplo, se não se arriscar e aos outros perante contágio. Do contrário, “morre de fome”, como diz o vendedor de sorvetes José Maria, quando entrevistado pelo Notícias Uol.
Ademais, existe uma outra interferência quando se trata da manutenção do isolamento social, a própria liderança brasileira. Tomando como exemplo a situação atual do corona vírus, vê-se que o presidente da República repudia veemente a sanidade e descarta qualquer empatia pelas vítimas já contadas, uma vez que pronuncia-se através de “fake recomendações”, como o uso sem fundamento da cloroquina no combate ao vírus, a organização de um possível “churrasco” no Palácio da Alvorada, ou até mesmo o uso do termo “gripezinha” só evidenciam seu descaso com a população brasileira e o desserviço que faz ao incentivá-la a definhar em plena pandemia.
Sendo assim, é importante que o governo proponha mais auxílios emergenciais aos trabalhadores mais prejudicados, isto é, pessoas incapazes de trabalhar sem que infrinjam o isolamento em meio a pandemias. Assim, o contágio pode ser minimizado ou até detido. Quanto aos pronunciamentos irresponsáveis de chefes de Estado ou figuras tão influentes quanto, principalmente em meio a crises como a do COVID-19, devem ser devidamente punidos pelo Poder Executivo. A disseminação e/ou incentivo da população à ignorância em cenários em que a lucidez é de extrema importância deveriam ser considerados crimes, pois só interferem no combate pandêmico.