Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 12/05/2020

Na medicina, “pandemia” é descrita como uma epidemia de enormes proporções, isto é, uma doença infecciosa que se espalha rapidamente entre os continentes. Atualmente, é experienciado no Brasil um momento de isolamento social em função do COVID-19. A medida é empregada com a finalidade de reduzir o contágio e, por consequência, as mortes causadas pela virose. Entretanto, grande parte da população é encontrada descumprindo a recomendação. Então, quais desafios o país enfrenta em tempos de pandemia?

Fato é que, em sua história, o Estado brasileiro não é conhecido por investir em educação, nem por garantir que a informação chegue à todas as camadas sociais (ainda que durante uma crise sanitária). Prova disso, é a conhecida Revolta da Vacina de 1904, movimento popular caracterizado pelo descontentamento público em razão da lei implementar a vacinação obrigatória. O curioso conflito foi resultado da mentalidade da época que, por questões éticas e tabus, considerava a vacinação algo invasivo; pois, além de forçada, o povo desconhecia a ciência por trás do medicamento. O que demonstra uma falta de preocupação por parte do Estado em contrapor o senso-comum com o conhecimento científico, a fim de deixar a população a par da importância da vacina.

Já no Brasil do século XXI, consoante ao Coronavírus, pode-se destacar que as pseudociências, surgidas de um contexto rico em desinformação e notícias falsas, atuam como agravadores da situação. Para ilustrar, um dos mais conceituados escritores até hoje, Edgar Allan Poe, insere em seu conto “O Demônio da Perversidade”, de 1845, a crítica de que ciências ilógicas e insustentáveis acabam por desestabilizar as pessoas, comprometendo seu bem-estar. O que mostra que todo estudo sério deve ser fundamentado nas evidências empíricas.

Além do atraso informacional, outro expressivo desafio enfrentado pelo país no tocante ao cumprimento do distanciamento social, é a questão econômica. Segundo um relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil está em sétimo lugar no ranking de desigualdade social. Implicando numa disparidade absurda no padrão de vida dos brasileiros e, consecutivamente, nos recursos que possuem para se manterem vivos no isolamento.

Portanto, percebe-se a urgência de uma mudança no cenário atual. Cabe ao Ministério da Economia, enquanto responsável pelo orçamento de projetos, em comunhão com o Ministério da Cidadania, cuja função diz respeito aos direitos dos cidadãos, por meio de verbas públicas, proporcionar às classes menos privilegiadas, recursos básicos para sua sobrevivência. Dessa forma, serão minimizados os obstáculos da implementação de um efetivo distanciamento social no país.