Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 14/05/2020

Em 1918,o até então desconhecido vírus “influenza”, foi responsável pela infecção de cerca de 500 milhões de pessoas no mundo, e de mais de 17 milhões de mortos. Além disso, a pandemia restabeleceu a análise científica a respeito de doenças respiratórias e o efeito benéfico do isolamento social em tempos de crise. No entanto, em países não desenvolvidos, dentre eles, o Brasil, grande parte da população vivem em situação de vulnerabilidade social, devido a situação precária em que se encontram, e do descaso por parte dos órgãos públicos, tornando o distanciamento uma realidade para uma pequena parcela da nação. Dessa forma, torna-se imprescindível a análise e a resolução dessa problemática.

Em primeiro lugar, vale ressaltar o ambiente excluso e marginalizado em que grande parte dos Brasileiros vivem. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas na extrema pobreza no país passa de 13,5 milhões, e cresce com o tempo. Esses indivíduos, em geral, não possuem acesso a água encanada - essencial no combate a infecção, e na higiene - e carecem de condições que os permitam ficar em casa e se proteger. Tais desigualdades, são refletidas no número de mortos de doenças como a Dengue ou a Covid-19, pois os desafios da população segregada, vão além da precaução em relação a enfermidade, mas na busca pela renda mínima possível para poder se alimentar. Dessa forma, seria negligente não notar diferença entre realidades no Brasil e a consequência dessa disparidade.

Outrossim, é válido avaliar a indiferença por parte dos poderes públicos em relação à população, e como isso afeta as medidas de contenção das doenças. Segundo Yuval Noah Harari - PhD em história e autor do livro “21 lições para o século 21” -, para derrotar uma epidemia, as pessoas precisam confiar nos especialistas, os cidadãos precisam confiar nos poderes públicos e os países precisam confiar uns nos outros. Todavia, no Brasil, a polarização permitiu a ascensão dos discursos de ódio e por conseguinte, a banalização de temas emergenciais, como epidemias, por exemplo. Dessa maneira, as autoridades, que possuem o papel de guiar e informar o povo, fomentam embates ideológicos em detrimento de ações que estimulem os cidadãos à adotarem as devidas medidas profiláticas no combate às enfermidades.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que reduzam os desafios em relação ao isolamento em tempos de crise no Brasil. Para tanto, o Governo Federal deve fornecer assistência à população mais afetada. Tal medida pode ser realizada através de programas de renda mínima básica, assim como, a ampliação de reservatórios de água que abranjam todo o território nacional. Essas ações têm o intuito de diminuir a desigualdade no país e promover a saúde coletiva, validando o discurso de Harari, pois,  o verdadeiro antídoto para epidemias não é a segregação, mas a cooperação.