Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 13/05/2020

De acordo com o poeta e professor brasileiro Ariano Suassuna “A injustiça secular dilacera o Brasil em dois países destintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Essas palavras nunca fizeram tanto sentido quanto fazem hodiernamente, em meio ao caos pandêmico – cenário vivido intensamente pelo Brasil e pelo Mundo. Por esse motivo, medidas, tais como o isolamento social, foram amplamente adotadas, para que haja uma diminuição no contingente atual de pessoas infectadas pelo vírus COVID-19.

Embora o distanciamento seja, de fato, a medida mais eficiente para impedir que o número de doentes cresça, existem problemas bem mais profundos a serem enfrentados por alguns cidadãos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os trabalhadores autônomos somam cerca de 24 milhões em nosso país. Isso quer dizer que, essa grande parcela da população brasileira sobrevive apenas com a renda de suas prestações de serviços à sociedade.

Dessa forma, a obrigatoriedade do retraimento populacional acarretou a perda substancial das áreas de atuação dos trabalhadores informais, tendo em vista que houve uma queda abrupta no público consumidor e, consequentemente na remuneração dos mesmos. Com isso, as únicas saídas restantes aos prestadores de serviços são: infringir as regras governamentais e arriscar sua saúde em prol do pão de cada dia ou obedecer as normas e perecer pela falta de alimento.

Sendo assim, para que o povo não sucumba em decorrência da miséria, fazem-se necessárias ações urgentes e efetivas. Paliativamente, cabe aos Governos Municipais em conjunto com as Secretarias de Saúde a conscientização não apenas sobre a necessidade de ficar em casa em meio à pandemia, mas também dos cuidados de higiene que devem ser tomados constantemente. Ademais, é pertinente ao Governo Federal em parceria com a Caixa Econômica Federal o aprimoramento de programas sociais, tais como o Auxílio Emergencial, para que seja atingida toda a minoria necessitada. Também devem atuar as Secretarias de Desenvolvimento Social e ONG’s em mutirões que objetivam a arrecadação e distribuição de itens básicos de higiene e alimento para os mais carentes. Apenas assim conseguiremos passar de forma justa por esse momento de crise e fazer da paridade o baluarte da nossa sociedade.