Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 15/05/2020
No ano de 1917, o mundo passou por uma das maiores crises de saúde já presenciada na história: a pandemia da gripe espanhola. Por seu auge ter ocorrido na mesma época em que a humanidade passava pela Primeira Guerra Mundial, foram comuns descrédito e descaso por parte de várias nações aos perigos impostos pela doença e houve, por conseguinte, um número elevado de óbitos. Contudo, no contexto contemporâneo brasileiro, a estrutura social de combate às epidemias ainda permanece bastante precária no que tange à infraestrutura hospitalar do país e à fragilidade econômica de maior parte da população, o que a manutenção do necessário isolamento social.
Antes de tudo, é importante destacar que o direito à saúde pública de qualidade não é assegurado de maneira eficaz no país. A esse respeito, o filósofo Jean Jacques Rousseau defendeu a ideia de que a função primordial do Estado democrático deve ser a garantia dos direitos sociais da população mais vulnerável. Nesse sentido, vê-se que a constituição brasileira de 1988 assegura à sociedade que os mais pobres tenham a possibilidade de possuírem atendimento hospitalar digno. Entretanto, a negligência por parte de parcela das autoridades competentes no que se refere ao cuidado para com a destinação de investimentos precisos ao SUS promove a ineficiência da rede pública de saúde nacional. Dessa forma, as pandemias no Brasil agravam a péssima situação humanitária dos hospitais públicos ao elevar o número de mortes evitáveis se houvesse melhor administração.
Outrossim, nota-se uma dificuldade na manutenção do isolamento social ao analisar as desigualdades socioeconômicas do país. Acerca dessa premissa, o sociólogo Karl Marx defendeu o pensamento de que, no capitalismo, há uma tendência natural de aumento das disparidades econômicas, sendo ampliadas com o surgimento de crises. Portanto, em situações de recessão global provocadas pelo surgimento das pandemias, fica evidente que as consequências mais devastadoras acontecem com a população mais marginalizada e que tem um menor acesso às atividades econômicas mais privilegiadas, gerando, então, maiores dificuldades ao isolamento social.
Em suma, torna-se clara a carência de uma maior intervenção por parte do Estado para evitar o colapso do sistema de saúde. Logo, cabe ao Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei orçamentária, investir mais recursos da união na construção de leitos hospitalares e de uma melhor infraestrutura nos locais de saúde. Tais investimentos deverão ser retirados dos recursos que seriam destinados aos fundos eleitoral e partidário, bem como do corte de quarenta por cento dos salários dos deputados, dos senadores e do Executivo. Com isso, espera-se a garantia de um sistema social que possibilite melhores resultados que aqueles atingidos pela gripe espanhola no século passado.