Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 19/05/2020

Fragilidade da organização social frente a uma pandemia

A obra literária “Ensaio sobre a cegueira”, do escritor José Saramago, narra uma epidemia chamada “cegueira branca”, que se espalha por uma grande cidade indeterminada no livro. À medida que os afetados são isolados e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar, as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus extintos primários. De maneira análoga a história fictícia, depreendemos que o necessário isolamento social, no Brasil, enfrenta desafios no que diz respeito à conscientização popular sobre a quarentena e o desabastecimento alimentar e de insumos das parcelas sociais menos favorecidas. Logo, pode-se afirmar que a postura do Estado, em relação ao planejamento público e a negligência de parte da população que, não respeita o distanciamento social, contribuem para o cenário negativo.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para atender a população carente do país. Não há ações dos Ministérios da Saúde e da Cidadania para atender as classes pouco privilegiadas em suas necessidades básicas, como atenção ao saneamento básico e a distribuição de cestas básicas e materiais de higiene para estimular o isolamento social. Desse modo, o governo atua como agente no processo de exclusão da população mais pobre em manter-se isolada. Logo, faz-se necessário a mudança desse quadro.

Também deve-se pontuar que, a negligência de alguns cidadãos, colaboram para dificultar o período de isolamento. Por causa, principalmente, da necessidade de grande parte das pessoas terem que sair de suas casas para trabalhar. Dados midiáticos apontam que muitos trabalhadores informais ainda não conseguiram receber os seiscentos reais do coronavoucher. Consequentemente, a população de baixa renda precisa sair de casa.

É necessários que os Ministérios da Saúde e da Cidadania debata com o Estado, um plano emergencial de assistência ao maior número possível e brasileiros. Tal plano deverá, principalmente, garantir um auxílio mensal, cestas básicas e materiais de higiene aos marginalizados, promover palestras com orientações sobre a pandemia e cobertura vacinal, visitas médicas em domicílio e fiscalização da vigilância sanitária para que seja evitado a degradação humana e a estupidez do coletivo vividos pelos personagens de “Ensaio sobre a cegueira”.