Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 22/05/2020

Atualmente, o mundo enfrenta a pandemia de um novo vírus conhecido popularmente como “COVID-19”, por se tratar de um vírus desconhecido, ainda não existem vacinas ou medicamentos curativos para a doença, logo, a única maneira de conter a contaminação é o isolamento social. Entretanto, há impasses para a plena concretização dessa medida sanitarista, ora pela desigualdade social colossal existente no país, ora pelo individualismo cada vez mais presente nos indivíduos.

É primordial ressaltar que a desigualdade social é uma das principais causas da ineficácia do isolamento social. Isto é, os indivíduos são obrigados a sair para trabalhar para garantir o sustento de suas famílias. É certo que a Constituição Federal de 1988, em seu conjunto de leis, garante direitos trabalhistas aos cidadãos brasileiros, sendo dever do Estado zelar pela plena aplicação destes. Contudo, não funciona na prática  uma vez que, em situações de pandemia, muitos trabalhadores, sobretudo os do ramo informal, continuam suas atividades laborais para a sobrevivência. Consequentemente, não apenas correm risco de vida ao se infectarem com o vírus, mas também de transmitir para outros indivíduos.

Atrelada a desigualdade social, o individualismo também é responsável pela problemática em questão. Isso ocorre, porque, na pós modernidade, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman na obra “amor liquido”, as pessoas buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e o sujeito acaba, muitas vezes, não se importando com o bem estar coletivo ao propagar a disseminação da doença quando não estão isolados socialmente. Tal fato pode ser exemplificado pela lotação das praias da cidade do Rio de Janeiro em 15 de março de 2020, principalmente as de Copacabana, mesmo com as medidas de alerta do governo local, como a proibição de aglomerações em espaços públicos,devido à expansão do coronavírus (COVID-19) no país.

Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar a problemática em questão. Logo, cabe ao Governo Federal, por meio de verbas públicas, implementar uma renda mínima aos trabalhadores informais e indivíduos em vulnerabilidade socioeconômica em casos de pandemia, para garantir o bem-estar e a saúde desses cidadãos. Ademais, o Ministério da Saúde, mediante parcerias com as grandes mídias, deve promover campanhas publicitárias mais eficazes de conscientização, que apontem a importância de conter o fluxo populacional como mecanismo de evitar a disseminação da doença, visando uma plena efetivação do isolamento social. Dessa forma, o Poder Público e a sociedade conseguirão reduzir a velocidade de propagação do vírus.

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