Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 24/05/2020

A ascensão da globalização, no final do século XX, ampliou a integração socioespacial em nível global, de forma que as doenças virais passaram a se alastrar com maior facilidade. Paralelamente, tal contexto possibilitou a uniformização de medidas sanitaristas no mundo, como a contenção do fluxo de indivíduos em situações de pandemia, dada pela adoção do isolamento social. No entanto, há impasses para a plena concretização desses padrões comportamentais no Brasil, ora pela omissão do Poder Público, ora pela negligência populacional, o que torna mister expor e viabilizar medidas para mitigá-las.

Em primeiro lugar, nota-se que nas últimas semanas, o isolamento social se tornou o centro das estratégias globais de combate ao vírus. O objetivo é “achatar a curva” de disseminação da doença, para evitar que o número de novos casos se concentre em um curto espaço de tempo e leve ao colapso do sistema de saúde. As iniciativas de isolamento, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), têm sido adotadas de forma distinta. Há países que ameaçam prender ou multar pessoas que saem às ruas para realizar atividades que não envolvem a compra de alimentos ou remédios, enquanto outros determinam o fechamento de estabelecimentos e recomendam que os cidadãos permaneçam em casa, sem impor penalidades.

Convém mencionar ainda que a  medida que os espaços públicos se tornam vazios, em todo o mundo cresce a preocupação com a saúde mental dos indivíduos enclausurados, levando especialistas a avaliar os possíveis impactos do isolamento e confinamento da população. Em 26 de fevereiro, a revista Veja publicou revisão de artigos relacionados ao tema. Nela, analisou estudos que procuram mensurar as possíveis consequências do isolamento social atual, considerando tratar-se de situação provisória que tende a se normalizar. Se uma das conclusões chama a atenção para a possibilidade de o impacto psicológico ser mais amplo e duradouro do que inicialmente se esperava, a revisão também enfatiza que os efeitos psicológicos da não adoção de medidas de isolamento social, com a potencial disseminação indiscriminada da doença, podem ser ainda piores.

Em síntese, urge que medidas sejam realizadas para aplacar essa conjuntura. Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio de verbas públicas, implementar uma renda mínima aos trabalhadores informais e indivíduos em vulnerabilidade socioeconômica em casos de pandemia, para garantir a primazia do bem-estar e da saúde desses cidadãos. Ademais, o Ministério da Saúde, mediante parcerias com grandes mídias, deve promover campanhas publicitárias mais eficazes de conscientização, que apontem a importância do isolamento social. Dessa forma. o Poder Público e a sociedade lidarão de forma mais promissora com a problemática vigente.