Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 25/05/2020
Superlotação e falta de saneamento básico: como cuidar dos vulneráveis em uma pandemia?
A falta de acesso à moradia digna é um dos maiores problemas sociais do Brasil. Segundo a Agência de Notícias do IBGE, cerca de 11,4 milhões de brasileiros vivem em favelas, o que reflete a severidade da exclusão socioespacial presente, principalmente, em áreas urbanas do país. Em um cenário de pandemia, em que o isolamento físico se faz necessário, esses locais aumentam a probabilidade de contágio dos indivíduos, uma vez que essas precárias residências não têm saneamento básico e normalmente abrigam um grande número de pessoas.
Portanto, compreende-se que medidas profiláticas como lavar as mãos e tomar banhos frequentes - atos corriqueiros para as classes mais altas - se tornam uma atividade impraticável para boa parte de moradores de áreas vulneráveis. De acordo com o site do Senado Federal, uma pesquisa do Instituto Trata Brasil aponta que 48% da população não tem tratamento de esgoto. Isso significa que há dificuldade no acesso à água potável, que não ocorre coleta de lixo e que milhões de pessoas vivem perto de dejetos humanos e animais todos os dias, impossibilitando que se tenha cuidados essenciais com a higiene pessoal.
Além disso, a falta de espaço é um agravante, pois em residências fechadas não há ventilação apropriada, assim, a transmissão de vírus e bactérias é facilitada. A Covid-19, que ocorre por contato com gotículas de saliva ou espirro, e a tuberculose, que é passada ao se aspirar o bacilo responsável pela enfermidade, são exemplos de patologias que costumam atingir de forma mais grave cidadãos que vivem em barracos lotados, como foi o caso demonstrado pelo Jornal Cruzeiro, que entrevistou uma mãe de família que divide sua pequena casa com mais oito pessoas. Esses cidadãos tendem a dividir os aposentos da casa, isso quando não há apenas um cômodo que suporta todos os residentes.
Desta forma, nota-se que medidas são necessárias para resolver o impasse do distanciamento social no Brasil em épocas de pandemia. Uma saída seria o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Economia e o ONGs locais, realocarem, por trinta dias, moradores de áreas vulneráveis e que fazem parte do grupo de risco. Esse processo seria realizado em três etapas: primeiramente, o governo realizaria um abatimento no valor dos impostos de hotéis em todo o país, para que fosse viável receber esse grande contingente de pessoas. Em segundo lugar, todos os beneficiários registrados no Cadastro Único que precisassem de moradia temporária seria atendidos. Por fim, com o auxilio de agentes comunitários, os demais cidadãos fariam seus pedidos junto ao governo. Assim, os mais frágeis não seriam expostos à doença com facilidade e poderiam cuidar de sua higiene.