Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 25/05/2020

A obra O Cortiço retrata, no seu contexto literário, uma realidade que é vivida por muitos brasileiros em pleno século XXI, a vulnerabilidade social dos menos favorecidos economicamente. Com isso, o olhar realístico para as pessoas vitimadas por  um precário acesso ao saneamento básico e a moradia, torna-se um árduo desafio durante uma pandemia. Assim, uma crise sanitária encontra, no Brasil, agravantes como a habitação inadequada e alta fragilidade financeira da maioria da população.

Primeiramente, é imperioso salientar que uma parcela expressiva da população brasileira não possui acesso adequado a saneamento básico, além de muitos estarem em situação de rua. Dessa forma, recomendações de práticas higiênicas simples, como lavar as mãos várias vezes ao dia para conter a disseminação de doenças, não estão ao alcance dessas pessoas. Ademais, muitas famílias são compostas, frequentemente,  por quatro, cinco ou mais membros que dividem até dois cômodos para morarem, como mostra o último censo do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que pode gerar estresse psicológico devido ao espaço inadequado  e insuficiente para o isolamento social.

Concomitantemente, as famílias, nesse quadro de vulnerabilidade habitacional, também estão financeiramente fragilizadas devido ao histórico auxílio financeiro insuficiente. Nesse caso, enfrentar uma pandemia que necessita do isolamento social é insustentável para muitas pessoas, pois para sobreviverem precisam se expor diariamente ao trabalho, informal ou legal, e, assim, poderem pagar suas contas básicas e, até mesmo, comprar o alimento diário. Logo, essa situação ilustra não uma irresponsabilidade social por parte do cidadão, mas sim  a fragilidade de atendimento, no que se refere ao poder público, em ajudar os indivíduos que estão marginalizados e desamparados socioeconomicamente no período de distanciamento.

Portanto, para amenizar os desafios enfrentados durante uma pandemia, cabe ao Poder Executivo municipal e federal dialogarem para, juntos, realizarem políticas de amparo socioeconômico específicos para os brasileiros, sendo as Prefeituras e União respectivamente. Para isso, podem ser tomadas medidas por meio da distribuição de cestas básicas, apoio financeiro, como crédito em conta, suspensão do corte de fornecimento  de recurso básicos, tal como luz, água, gás ou aluguel que visem, principalmente, a população mais carente. Além disso, tal Poder pode adotar medidas que incentivem as empresas a negociarem o pagamento de dívidas da população somente no período pós-pandemia, para que o povo possa suportar o isolamento social devidamente, bem como se recuperarem, também, do abalo econômico. Com isso, o Governo estará agindo em prol dos brasileiros e na interferência de tornar a Nação um verdadeiro cortiço social.