Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 10/06/2020

No premiado filme coreano de 2019 “Parasita”, o diretor Bong Joon-Ho retrata os efeitos de uma forte tempestade em duas famílias. Enquanto a casa da família mais humilde é fortemente alagada, a família mais rica enaltece a beleza da chuva pelas janelas de sua mansão. Traçando um paralelo com a realidade, é possível perceber os contrastantes impactos da pandemia do coronavírus na realidade das diferentes classes sociais brasileiras, que impedem, dessa forma, um efetivo combate contra o vírus no País. Nesse contexto, cabe analisar a omissão do poder público e a negligência populacional como fatores determinantes dessa situação problemática. Em primeiro plano, é importante destacar o que o historiador Leandro Karnal afirmou, em seu canal do youtube: “as consequências da pandemia no Brasil evidenciam a extrema desigualdade social que caracteriza o país”. Dessa forma, os mais afetados pela pandemia, são os trabalhadores informais, sendo aqueles sem respaldo formal, que não possuem garantias que o permitam ficar em casa em períodos de quarentena. Ou seja, sem trabalhar, não possuem renda. Esse panorama evidencia uma total omissão do poder público e do aparato legal frente a essa população que, de acordo com o Jornal Nexo, representa 40% do mercado. Consequentemente, além de terem sua renda fortemente reduzida devido à crise do corona vírus, o isolamento social fica comprometido pela não aderência desse grupo de trabalhadores. Ademais, a falta de compromisso social, evidenciado pelas inúmeras aglomerações em localidades de cidades brasileiras, denunciadas pela mídia, fomentam a disseminação do vírus. Nesse contexto, cabe uma comparação da realidade brasileira com a crítica implícita no conto Machadiano “Pai contra mãe”, que evidencia a falta de solidariedade da população com aquilo que não os afeta individualmente. Ou seja, muitas pessoas, por não estarem figurando o grupo de risco, continuam a levar suas vidas normalmente, sem se importarem com aqueles mais vulneráveis. Em decorrência disso, o número de mortes por coronavírus no Brasil já ultrapassa os 30 mil casos. Torna-se evidente, portanto, que a compactuação da sociedade e a precarização do Poder Púbico auxiliam nos baixos índices de isolamento social alcançados pelo Brasil. Para a mudança desse panorama, faz-se necessário que o Governo Federal em conjunto com o Ministério do Trabalho implementem, por decretos,a disponibilização de auxílios aos trabalhadores informais com o intuito de preservar o bem-estar desse grupo e, além disso, reforçar o isolamento social frente ao avanço do vírus. Outrossim, faz-se necessário que o Poder Público Federal repasse verbas à Secretaria Nacional de Propaganda para que esta em conjunto com as mídias – internet, televisão e rádio – produzam, com médicos infectologistas e outros especialistas no assunto, campanhas educativas com o intuito de orientar e alertar a população sobre a necessidade do cumprimento do isolamento social, e os riscos de seus descumprimento. Só assim, será possível implementar um isolamento social que, de fato, seja eficiente contra a pandemia do novo coronavírus.