Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 15/06/2020

A expressão “globalização dos microrganismos", ganhou grande importância nos últimos anos. O mundo se deu conta de que, com o desenvolvimento da tecnologia e ascensão da aviação, uma pessoa doente pode rodar o globo em um curto período. Com isso, os surtos se disseminaram pelo planeta com maior facilidade e o isolamento passou a ser dificilmente respeitado. Contudo, há obstáculos para a execução de padrões comportamentais no Brasil, tanto por falhas do Governo, como pela desatenção dos cidadãos, o que torna função possibilitar medidas para atenuá-las.

Primeiramente é necessário entender o conceito de R0. R0 é o número básico de transmissão, ou seja, quantas pessoas um contagiado contamina. No caso da COVID-19, o R0 básico é aferido entre 2,5 e 3. Assim, para cada cidadão infectado, outros 2,5 a 3 serão infectados. Outro problema é que, praticamente toda a população mundial é suscetível à infecção, por se tratar de um novo vírus. Como não existe uma vacina ou medicamento para a COVID-19, a única alternativa é o isolamento social.

Ademais, é importante ressaltar que, no Brasil, o isolamento social é algo dificilmente respeitado, principalmente pela falta de compromisso geral. Segundo um estudo realizado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), uma vida seria salva a cada 78 segundos se o isolamento social tivesse continuidade. Porém, especialistas apontam que nenhum estado brasileiro, até agora, chegou a 51% da taxa de isolamento, a qual deveria ser de no mínimo 70%. Mesmo com as medidas impostas pelo governo, aglomerações ocorrem frequentemente em diversos locais, sendo assim, a conscientização social é necessária nesse cenário.

Entretanto, algumas das pessoas que saem durante o período de quarentena possuem a necessidade de ir trabalhar para o sustento familiar. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope, cerca de 46% dos paulistanos trabalham todos os dias e 76% saem para atividades essenciais. O mesmo estudo também mostra que uma pequena parcela da população tem a possibilidade de trabalhar em casa durante a pandemia: 35% dos paulistanos fazem home office. Portanto, fica evidente que medidas são necessárias para tais condições.

Por conseguinte, cabe ao Governo e ao Ministério da Saúde, juntamente à mídia, promover campanhas publicitárias mais eficazes de conscientização que apontem a importância de conter o fluxo populacional como um processo de interrupção da disseminação de doenças, visando uma boa execução do isolamento social para garantir a saúde e o bem-estar dos cidadãos. Dessa maneira, a sociedade e o domínio público lidarão de forma favorável com os problemas correntes durante períodos de destrutibilidade econômica.