Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 16/06/2020

Com o início do processo de globalização, dado a partir do final do século 20, a integração entre os países se aprofundou muito em um âmbito global. Apesar dos benefícios, essa integração facilita a disseminação do vírus, como foi comprovado em  2020, com o cenário de pandemia causada pelo covid-19. Com o objetivo de reverter este cenário, foram decretadas medidas de isolamento social em vários países, porém, percebe-se que, no Brasil, existem muitas controvérsias sobre tal isolamento.

Segundo o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tinha cerca de 11,4 milhões de pessoas morando em favelas e segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2015, aproximadamente 18,7 milhões de domicílios urbanos não contavam com pelos menos um dos três serviços de saneamento básico, conexão à rede de esgoto, coleta de lixo e água encanada. Desse modo, percebe-se que muitas pessoas não vão conseguir seguir a quarentena, já que a maioria delas não tem nem condições para ficar em casa e se proteger contra a pandemia.

Além disso, segundo o IBGE, em 2019, um a cada cinco trabalhadores brasileiros recebia menos da metade do salário mínimo e a renda média entre os 20% com menores rendimentos do trabalho era de apenas R$ 471. Por consequência da pandemia, segundo dados da IBGE, o desemprego atingiu 12,8 milhões de brasileiros entre fevereiro e abril de 2020, piorando ainda mais a situação financeira da população. Contudo, é observado, que muitas famílias precisam sobreviver com uma renda extremamente baixa e desta forma não podem parar de trabalhar para ficar em casa e seguir a quarentena, pois assim morreriam de fome, estando extremamente expostos ao vírus e não tendo condições de se tratarem caso se contaminem.

Portanto, revisando os fatos citados a cima, é observado a necessidade de uma ação pontual no problema. Visando à efetivação do isolamento social, que é essencial para conter o cenário de mortes vigente na realidade brasileira, cabe ao Governo Federal, por meio de verbas públicas, implementar uma renda mínima aos trabalhadores informais e indivíduos em vulnerabilidade socioeconômica, para garantir o bem-estar e a saúde desses cidadãos. Além disso, o Ministério da Saúde, junto com as grandes mídias, deve promover campanhas publicitárias de conscientização mais eficazes, que apontem a importância de conter o fluxo populacional como forma de interrupção do alastramento de contágios, fazendo com que as pessoas que tem condições de ficar em casa fiquem, protegendo assim aqueles que precisam sair para trabalhar. Com essas medidas, espera-se que o Brasil garanta, enfim, as condições necessárias para o enfrentamento dessa crise.