Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 18/06/2020
Segundo Aristóteles, filósofo ateniense, os homens são animais políticos, ou seja, precisam conviver socialmente. Contudo, em períodos de pandemia, esse conceito deve ser relativizado, pois é necessário isolar as pessoas e impedir que tenham contato, a fim de diminuir as curvas de contágio. Nesse viés, é necessário entender que o desemprego e a postura anti-cientificista do brasileiro são desafios que impedem a efetivação plena do isolamento social.
É sabido, antes de tudo, que as formas de trabalho no Brasil são as primeiras agentes inviabilizadoras da reclusão social. Sob esse viés, pode-se afirmar que a quantidade de desempregados no país faz com que muitas pessoas busquem formas alternativas de se sustentarem, bem como, o serviço informal. Esse tipo de negócio faz com que os autônomos sejam dependentes da circulação de pessoas, ou seja, precisam de que os cidadãos estejam consumindo e rodando, assim, a economia. No entanto, o isolamento forçou o mercado consumidor a comprar apenas o essencial à sobrevivência, de modo que os que necessitam dele ficassem desamparados. Diante desse cenário, embora o governo federal tenha oferecido um auxílio emergencial aos freelancers, esse valor foi muito abaixo do necessário. Em um país em que, de acordo com a “Folha de São Paulo”, 1.5 milhão de brasileiros busca por seguro desemprego nesse período de caos, ofertar 600 reais para suprir todos os gastos dos trabalhadores parece, no mínimo, falta de respeito.
Ademais, convém analisar que a desvalorização dos especialistas também dificulta o cumprimento do isolamento. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, sociólogo nacional, o brasileiro é um homem cordial, isto é, ele é guiado por motivações emocionais. Nesse sentido, quando o presidente do país desmerece pesquisas científicas e taxa o coronavírus como uma ‘gripezinha’, ele está indo ao encontro do que o intelectual afirmou, haja vista que o discurso dele não está embasado na razão. Por consequência, diversos cidadãos que o apoiam reproduzem esse tipo de fala e desrespeitam as diretrizes de distanciamento, porque começam a acreditar que o vírus não é letal. Assim, enquanto essa postura de deslegitimação científica não for superada, o Brasil não terá sucesso no combate a nenhuma pandemia.
Torna-se claro, portanto, que os empecilhos para o isolamento precisam ser superados. A fim de conseguir isso, é fundamental que o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Comunicação faça vídeo com influenciadores e profissionais da saúde, que serão disponibilizados no Youtube e na televisão, nos horários nobres, por meio da ilustração de como é o tratamento, a rotina dos médicos, as dificuldades encontradas pelos doentes e recados incentivando a reclusão. Dessa maneira, as dificuldades diminuirão e o distanciamento será visto como uma nova forma de ser um animal político.