Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 19/06/2020
A revolta da vacina, ocorrida na República Oligárquica, consistiu em uma série de manifestações populares contra a ação impositiva do Estado de promover a vacinação compulsória, a fim de prevenir a população contra o vírus da varíola, sem que houvesse o devido esclarecimento acerca da importância dessa medida. De forma análoga, em meio à pandemia de Coronavirus no Brasil, vê-se a necessidade de adotar ações profiláticas de isolamento contrastar com a realidade da população, a qual tende a não cumprir tais normas plenamente. Diante disso, urgem análises dos desafios primordiais do necessário isolamento social: a desinformação e a inviabilidade econômica.
De início, é importante salientar que a falta de letramento científico dos brasileiros contribui para uma maior vulnerabilidade às informações falsas. Ademais, o Brasil apresenta desempenhos insatisfatórios em exames como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos ( PISA), em que o país está na sexagésima colocação na matéria de ciências entre setenta nações. Esse fato favorece uma maior adesão por parte da população a movimentos negacionistas, endossados por personalidades de grande influência, as quais atribuem ao vírus da atual pandemia adjetivos que o banalizam, como " gripezinha “.
Em segunda análise, a impossibilidade de sobreviver somente com o auxílio emergencial de seiscentos reais parcelados, oferecido pelo governo, também é um entrave a ser combatido. Isso porque, essa quantia é suficiente para permitir a subsistência, mas não as contas pendentes, como dívidas, salário de funcionários e aluguéis, principalmebte para os 40% da população adulta que, segundo o Serasa, possuem dívidas atrasadas. Como reflexo, muitos se submetem a situações de risco, desrespeitando o regime de isolamento, para minimizar os impactos econômicos da crise. Desse modo, são notórios os obstáculos para o cumprimento efetivo dessa regra.
Isto posto, são necessárias ações voltadas a enfrentar tais impasses. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas educativas, por meio de videoaulas transmitidas na televisão e no YouTube, na qual professores de biologia, enfermeiros e médicos irão apontar a gravidade da pandemia, por meio de dados e de depoimentos de pessoas infectadas, a fim de coibir suscetibilidade da população pelas informações inverídicas. Além disso, o Poder Legislativo deve cortar gastos secundários, mediante um Projeto de Lei, no qual os salários de deputados, juízes, senadores, auxílios de moradia e alimentação serão reduzidos drasticamente e direcionados para a parcela da população a qual mais necessita desses recursos, com vistas a permitir o isolamento sem que haja grandes ônus para a estabilidade socioeconômica.