Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 23/06/2020
O poema “No meio do caminho”, do maior poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, ressalta, metaforicamente, que há sempre um obstáculo incapacitando a realização de tarefas essenciais. Nesse sentido, atrela-se uma relação com o necessário isolamento social no Brasil em caso de pandemia, visto que seu cumprimento é extremamente difícil nos dias atuais. Destarte, esse conflito é ocasionado por desafios como a desigualdade socioeconômica e a carência de empatia por parte dos cidadãos.
Em primeira análise, é explícita a enorme diferença social e econômica entre a população brasileira. A partir da Era Vargas, passou a ser estimulado fortemente o processo de urbanização no país, o que acentuou as desigualdades presentes desde o período colonial. Sob tal ótica, a inferiorização de indígenas e negros no Brasil, assim como sua consequente escravização, deixaram cicatrizes na estrutura da sociedade que causam dor até hoje. Um exemplo disso é o fato de que a maioria das pessoas com baixa renda são descendentes destes povos inferiorizados. Deste modo, muitos não podem ficar em casa, visto que dependem de trabalhos informais para conseguir, com sorte, ter alimento para a família.
Outrossim, pode-se observar a falta de empatia social, uma vez que, simultaneamente, enquanto alguns são obrigados a sair de casa para conseguirem comer, outros, mais avantajados, deixam suas casas sem haver necessidade real. Nesse cenário, a problemática dessas atitudes egoístas está na questão de que a quarentena não é apenas para proteção individual, mas sim geral, uma vez que com a taxa contagiosa extremamente alta, põe-se em risco a saúde do próximo também, além de desrespeitar os profissionais da saúde. Logo, tais cidadãos brasileiros divergem brutalmente seu comportamento do imperativo categórico do filósofo Emmanuel Kant, que defende que os seres humanos devem agir de forma que suas ações possam ser universalizadas, ou seja, promovam o bem-estar de todos.
Evidencia-se, portanto, que o isolamento social na sociedade brasileira é bastante complicado de ser efetivamente exercido. Diante disso, cabe ao Ministério da Economia assegurar que pessoas em situação socioeconômica precária possam contar com o governo para seu sustento, por meio de planos econômicos específicos para situações de pandemia. Essa medida pode ser implementada, por exemplo, com a distribuição a esses indivíduos de parcelas mensais mínimas de 1400 reais, a fim de garantir condições para compra de alimentos, remédios e pagamento de contas. Sendo assim, é possível diminuir o impacto das diferenças sociais na eficácia do isolamento no Brasil durante uma epidemia.