Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 09/08/2020

A história da humanidade é, em parte, a trajetória desenvolvida pela sociedade no que tange ao surgimento de enfermidades. Essa narrativa, marcada pela filosofia epicurista de preservação da vida, criou mecanismos, tal qual o isolamento social, que contribuíssem para a mitigação de perdas humanas - sobretudo durante cenários pandêmicos. Contudo, no contexto brasileiro hodierno, há desafios relacionados a plena concretização do distanciamento. Urge, assim, solucionar as causas desse óbice: a ineficiência governamental e a negligência coletiva.

Em primeiro plano, é essencial destacar que, em função da inabilidade das autoridades na execução de projetos assistencialistas a grupos economicamente vulneráveis, há o recrudescimento do problema. Sob essa perspectiva, cabe ressaltar as noções de John Locke, filósofo iluminista, que discute o contratualismo -  sistema no qual a sociedade cede a sua liberdade ao Estado que, por sua vez, deve garantir o acesso a direitos constitucionais e atenuar as mazelas sociais. Nessa lógica, quando aqueles que possuem empregos informais, como camelôs e autônomos, são financeiramente afetados pelo isolamento, é esperado que o contrato social não seja quebrado e que medidas protetivas sejam instauradas, a fim de garantir a manutenção da renda e a não elevação de casos. Portanto, a resposta estatal pode influir em uma maior adesão populacional ao distanciamento.

Ademais, vale salientar que as dificuldades referentes ao isolamento estão associadas ao comportamento da população. Isso porque, de acordo com Zygmunt Bauman, devido ao advento da era contemporânea, a importância creditada à coletividade foi substituída pela centralidade do individual. Desse modo, a emancipação do homem quanto às responsabilidades para com a sociedade permitem decisões baseadas em pressupostos particulares. Por conseguinte, em casos pandêmicos - embora seja vital condutas que visem a segurança grupal - é notório a escolha individualista de diversos brasileiros, os quais, no decorrer da expansão do coronavírus (COVID-19), não aderiram ao distanciamento, ainda que, segundo dados do SUS, a taxa diária de mortes fosse superior a mil casos.

Logo, é fundamental que medidas sejam tomadas para resolver a problemática do isolamento no Brasil. Para tanto, cabe ao Governo Federal, em consonância com o Ministério da Economia, a execução de pacotes emergenciais destinados aos nacionais em frágil situação econômica. Isso pode ser efetivado, por meio da instauração de uma renda que esteja equiparada ao salário mínimo, de modo que o poder de compra total não seja prejudicado. Outrossim, é mister que o Ministério da Saúde promova campanhas publicitárias que abordem - com mais eficácia - a necessidade de diminuir o fluxo de pessoas ao longo de pandemias. Destarte, a filosofia de Epicuro será garantida na prática.