Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 02/08/2020

Durante a pandemia do Covid-19, devido à ausência de vacina e tratamentos, o mundo entrou em quarentena, a fim de impedir a disseminação da doença e diminuir as perdas humanas. Da mesma maneira, em casos de pandemia, o isolamento social é necessário no Brasil, visto que o serviço público de saúde é precário. No entanto, o descaso governamental e o individualismo popular desafiam sua efetivação. Assim, elaborar medidas para superá-los é imperativo, a fim de salvar vidas.

De início, a postura elitista do Estado é um empecilho para a realização da quarentena no país. Nesse sentido, após a Independência, o Brasil foi o único país sul-americano a adotar uma monarquia duradoura, pois as elites apoiaram Dom Pedro II, para que o poder central agisse de acordo com seus interesses. Em decorrência disso, até hoje, muitos governantes agem em favor dos mais abastados e, quando somente os serviços essenciais podem funcionar, há uma crise econômica que prejudica, em especial, os menos favorecidos -os quais são mais vulneráveis aos seus efeitos. Por conseguinte, como o governo não elabora políticas públicas eficientes para protegê-los, eles podem perder sua fonte de renda enquanto continuam precisado sustentar suas famílias. Dessa foma, comprova-se como a herança histórica é evidenciada em casos de pandemia e dificulta sua efetivação.

Ademais, a falta de senso coletivo dos cidadãos é um impasse para concretizar o distanciamento social e conter uma enfermidade pandêmica. Segundo Schopenhauer, “o homem toma para si os limites do seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. Sob essa ótica, os indivíduos sobrepõem suas necessidades às coletivas, porque não  compreendem os impactos de suas ações para a sociedade, apenas para si mesmos -conforme descrito pelo filósofo. Nesse viés, dado que o propósito da quarentena é diminuir o números de contaminados simultâneos para não sobrecarregar o sistema de saúde, ao desrespeitá-la, a doença é ainda mais disseminada. Como reflexo, os hospitais lotam até um eventual colapso, o qual reduz as chances de sobrevivência dos internados, principalmente dos idosos, pois, em caso de descontrole, a recuperação dos mais jovens é prioridade. Logo, a importância de elaborar planos para neutralizar a falta de empatia é indiscutível.

Portanto, evidencia-se a omissão do Estado e o individualismo do povo como obstáculos do isolamento social em pandemias no território. Para ultrapassá-los, o Governo Federal, deve instituir políticas econômicas emergenciais para os mais vulneráveis. Outrossim, o Ministério da Saúde deve elaborar campanhas publicitárias que abordem a importância da quarentena para todos. Isso se dará via exibição televisionada, com o fito de preservar vidas. Desse modo, o isolamento social, urgente em situações análogas à do surgimento do vírus Sars-CoV2, encontrará menos resistência da população.