Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 02/07/2020

Segundo o historiador Karl Marx o homem é por natureza um animal social, pois não pode ser privado de estar em sociedade. Todavia, analisando-se o cenário atual brasileiro, onde vivenciasse uma pandemia global, torna-se inviável a socialização entre os indivíduos, em que o método mais eficiente para se controlar a disseminação do vírus é o isolamento social. Desse modo, torna-se necessário analisar dois agravantes para essa problemática: a acentuação da desigualdade social e o crescente números de casos de transtornos psiquiátricos.

Em tempos de pandemia a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou o slogan “fique em casa”, com a finalidade de promover o distanciamento social, entendido atualmente como a maneira mais eficaz de conter o avanço da pandemia do novo corona vírus. Entretanto, muitas famílias carentes não podem se dar o “privilégio” de seguir essa recomendação e precisam se expor diariamente para suprir as necessidades básicas de seus lares. Outrossim, é válido ressaltar que através da validação dessas medidas o nível de pobreza aumentou drasticamente, posto que cerca de 1 milhão de brasileiros passaram a condição de desempregados, enfatizando ainda mais o cenário de desigualdade social.       Ademais, outro fator a salientar é o desenvolvimento de transtornos psicológicos acarretados pelo distanciamento social. Entende-se que o afastamento social nesse período é essencial para o “achatamento da curva” da Covid-19, porém a medida de quarentena impacta diretamente a saúde mental da população, podendo levar a quadros de depressão, que durante o isolamento tiveram um aumento de 90%, de acordo com pesquisas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Consta-se que os transtornos psicológicos são doenças tão sérias quanto as demais disfunções físicas, podendo até levar à morte. Esse quadro contrastado com o sentimento de solidão agrava ainda mais a situação dos “pacientes”, em que se faz necessário a devida atenção e tratamento.

Torna-se evidente, portanto, que a situação precária de uma parcela carente da população e os danos causados a saúde mental são fatores agravantes para essa problemática. Assim, cabe ao governo implementar medidas que auxiliam a população carente momentaneamente, como o auxílio em dinheiro, mas também oferecer cursos de qualificação gratuitos para ampliar as opções de empregos para quem irá se reestabelecer no mercado de trabalho. Ademais, compete ao Ministério da saúde oferecer atendimento psicológico gratuito e online, dando suporte aos cidadãos que necessitam desse serviço. Com tais medidas o Brasil conseguirá superar este cenário catastrófico, dando a população dignidade e oportunidade de um recomeço.