Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 10/07/2020
Ao ler o livro “Ensaio sobre a cegueira” do escritor português José Saramago, é fácil perceber a negligência da sociedade e do governo diante da epidemia de cegueira que se espalha pela cidade fictícia. Fora do aspecto literário, é fato que tal cenário citado em nada difere do hodierno cenário brasileiro, visto que inúmeros indivíduos burlam o necessário isolamento social, ocasionado pela pandemia do coronavírus. Sendo assim, torna-se bastante relevante uma análise criteriosa dos aspectos que corroboram para essa problemática: a necessidade do ser humano pelo contato social, bem como a falta de apoio governamental.
Convém pontuar, de início, que de acordo com o filósofo Aristóteles, o homem é um animal político. Nessa lógica, percebe-se que o ser humano tem uma necessidade pelo convívio social e só se realiza plenamente como indivíduo ao estar em sociedade. Dessa forma, ao não conseguir adaptar-se ao distanciamento do grupo social, assim como à vida em isolamento, muitos indivíduos burlam a quarentena, o que se apresenta extremamente prejudicial ao bem-estar coletivo, devido aos riscos apresentados por tal ação, como uma possível contaminação.
Outrossim, é imperioso ressaltar a ineficiência governamental no que tange ao desenvolvimento de políticas públicas capazes de auxiliar os trabalhadores informais. Tal situação é inconcebível, uma vez que, em virtude dessa ineficácia do Estado brasileiro, diversos indivíduos, sem perspectiva de ajuda por parte das autoridades nacionais, são obrigados, infelizmente, a sair do isolamento social a fim de garantir seu sustendo diário. Exemplo disso ocorreu quando inúmeros brasileiros apresentaram sérios problemas no que diz respeito à obtenção do auxílio emergencial. Assim, nota-se que esses indivíduos constituem-se como cidadãos de papel, segundo o jornalista Gilberto Dimmenstein, pois seus direitos a um ambiente seguro e igualitário existem apenas na teoria.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para mitigar essa nefasta conjuntura. Logo, urge ao governo nacional, em sinergia com o Ministério da Economia, uma melhor organização no que tange ao fornecimento de uma auxílio eficiente para os trabalhadores informais. Essa ação deve ser feita por meio de planos financeiros a serem discutidos e aprovados em conjunto com a sociedade, com o fito de garantir uma ajuda competente para essa parcela da população tão marginalizada. Somente assim, o cenário apresentado na aclamada obra de José Saramago poderá ser combatido em sua integralidade e todos terão o acesso adequado a um ambiente seguro.