Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 08/07/2020

Embora no Brasil esteja acontecendo uma flexibilização do isolamento social, os casos de Covid-19 só aumentam. Isso se dá tanto pela hipervalorização do setor econômico, quanto pelo agravamento da situação aos trabalhadores informais/independentes. Tais fatores resultam no desafio de convencer os governantes a manterem os comércios fechados, reduzindo a circulação de pessoas nas vias, mas ao mesmo tempo, prover o sustento necessário aqueles que dependem da renda gerada pelo emprego.

Milton Santos já afirmava, “O centro do mundo, hoje, não é o homem, é o dinheiro”. Agindo por meio dessa mentalidade capitalista, visando sempre o lucro acima de todos, os governos de diversos estados reabriram o comércio, usando a justificativa que a economia deve girar. Vemos nesse ato, uma política de “economiopia”, conforme fala José Paulo Paes. A prova da irresponsabilidade no controle da doença é o número de casos após a flexibilização das normas de isolamento, que por exemplo triplicaram no estado de Santa Catarina.

Ademais, existem questões de desigualdade econômica que devem ser levadas em conta. Uma parcela grande da população depende exclusivamente do trabalho para garantir sua subsistência. No Brasil é fornecido o auxílio emergencial de 600 reais aos que são configurados vulneráveis financeiramente, porém, seria o suficiente para sobreviver? Atualmente, o aluguel de uma casa “padrão” custa cerca de R$1.855 por mês, fora outros gastos com alimentação, contas, família, etc. Em outros países o auxílio é bem maior, nos EUA por exemplo, o valor ofertado passa de 6000 reais por pessoa. Logo, alguns cidadãos, não podem cessar o trabalho, porque suas vidas dependem disso, como diz o ditado popular: tem que vender o almoço para comprar a janta.

Por conseguinte, cabe ao poder público empregar medidas protetivas maiores aos trabalhadores necessitados, garantindo sua sobrevivência e saúde. Além disso, o Governo, na figura do Ministério da Saúde, deve desenvolver um programa visando o cumprimento da quarentena, por meio de normas mais restritas, multas e punições severas, aos municípios e estados, que as descumprirem, para que a vida do povo brasileiro seja preservada e a pandemia contida.