Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 09/07/2020

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência da doença”. Com base nisso, nota-se que os desafios da pandemia não são apenas clínicos, mas também estão ligados à grande desigualdade social do país.  Este abismo social reflete, por exemplo, na realidade dos trabalhadores que, mesmo conscientes dos riscos de não cumprirem o isolamento social, decidem continuar exercendo seus ofícios por medo de perder o emprego ou não trazer o sustento diário que é o caso dos informais. Outro fator que chama atenção como consequência desta desproporção é a dificuldade de acesso ao ensino a distância, vivida por grande parte da população.

À medida que se analisam as problemáticas sociais citadas anteriormente, longa metragens como “O Poço” provocam um choque de realidade ao deixar claro que, enquanto uma parcela da sociedade se farta, a outra come migalhas e restos ou nem come. Assim, remetendo ao modo como o isolamento social impacta alguns brasileiros, onde a decisão de isolar-se ou não é tomada pela lógica da segurança, enquanto que outros são colocados diante da escolha entre morrer pelo vírus ou pela fome, já que não contam com nenhum tipo de proteção social que lhes permita ficar em suas casas.

Outrossim, o acesso à educação em situação de calamidade é também um desafio gigantesco para a população da periferia, que não possui sequer equipamentos e internet em suas residências. Acerca disso, pensar no ensino a distância, sem oferecer a infraestrutura necessária, leva à exclusão de muitos estudantes da rede pública e precariza as condições de trabalho dos professores. Este panorama é explicitado em um levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado (APEOESP),  o qual afirma que o sistema de EAD tem alcançado menos de 30% dos alunos, isto é, a grande maioria não está conseguindo acessar as plataformas, deixando de absorver o conteúdo aplicado e ficando defasados em relação aos demais.

Em vista disso, medidas de proteção social devem ser garantidas por meio de programas emergenciais de amparo à população de todas as classes sociais. Para tanto, o governo nas esferas municipal, estadual e federal, deve garantir políticas públicas para o momento em questão, tais como: segurança alimentar, proteção ao salário e aos postos de trabalho, uma renda mínima para aqueles trabalhadores que não possuem vínculos formais de emprego, além do fornecimento de computadores e acesso a internet gratuita para a comunidade escolar. Dessa forma, os impactos negativos na vida da população brasileira serão amenizados, pois os fatores financeiro e educacional deixarão de ser impeditivos para o cumprimento do isolamento social, contribuindo para a superação da crise sanitária.